A grande noite da música
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terça-feira, 06 de maio de 1997
Pedro Alexandre Sanches Agência Folha 
Arquivo FolhaRita Lee: a grande (e justa) homenageada da noiteOs vencedores do 10º Prêmio Sharp de Música serão conhecidos numa festa a ser realizada hoje, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. São 48 indicados que concorrem em nove categorias. O valor total da premiação deste ano é de R$ 96 mil, e a direçãogeral da cerimônia será do cenógrafo Gringo Cardia.
Com um grupo heterogêneo de julgadores - que vai de Itamar Assumpção a Alcione, de Hermínio Bello de Carvalho a Roberta Miranda -, o Prêmio Sharp apresenta um rol de indicados algo caótico.
Começa pela bagunça na definição de categorias concorrentes. São nove: MPB, samba, pop/rock, canção popular, regional, instrumental, infantil, clássico e especial.
A MPB, que se poderia definir como principal categoria - já que se trata de um prêmio de música popular brasileira -, se vê furtada do mais forte disco de MPB do ano, Bebadosamba, de Paulinho da Viola. Porque ele é transferido para a categoria samba.
Brega ou popular A MPB também perde filiados para a música regional, no visor retalhado do júri. Chico César aparece discretamente, concorrendo apenas a melhor música nessa categoria. E aí são classificados artistas de projeção bem mais que regional, como Moraes Moreira, Elba Ramalho e Daniela Mercury. Outro pilar da MPB, Roberto Carlos é transferido à seção popular - que se pode traduzir por brega mesmo. OK, Roberto tem flertado com o gênero, mas colocá-lo a competir com Francisco Petrônio e Agnaldo Timóteo a melhor cantor do ano é algo insultuoso.
Na mesma pancada popular, foi cair Sandra de Sá. A Lua Sabe Quem Sou Eu é o CD mais pop - não popular - de sua carreira. Concorre com o brega explícito de Rosana. Em pop/rock é que se estabelece o absurdo: querem eleger a revelação do ano entre Carlinhos Brown e a cantora de MPB Silvana Stiévano. Ora, façam-nos o favor. Querem premiar Edson Cordeiro melhor cantor. Sem comentários.
Fora os absurdos, há os injustiçados. Âmbar, de Maria Bethânia, seu melhor disco em décadas, é esquecido na categoria MPB e tem de dar lugar a Catavento e Girassol, de Leila Pinheiro. Nem a cantora ela concorre - mas ao menos Nana Caymmi concorre.
No quesito pop/rock, o conservadorismo do júri impede o mangue beat de Mundo Livre e Chico Science e a experiência tecno de Edgard Scandurra de concorrer. Prefere-se o pop regionalista de Skank e Paralamas do Sucesso. Revelações como o soul-pop mineiro do J. Quest nem foram citadas. Afinal, Carlinhos Brown deve ser lembrado.
Nem tudo é injustiça, claro. Por isso, por exemplo, os três sambas concorrentes a melhor do ano são de Paulinho da Viola. Por isso Cássia Eller concorre a melhor cantora pop/rock. Por isso Mônica Salmaso e Renato Braz disputam o título de revelação da MPB. Por isso Caito Marcondes é lembrado na categoria instrumental.
Mas, no todo, o que se vê é ou a predominância do aleatório ou aquela velha prática nacional de querer agradar todo mundo de uma vez. Parece que já temos nosso Grammy.


