A grande matriarca de volta a Londrina
A grande matriarca de volta a Londrina
Dorico da SilvaLala Schneider: vitalidade e talentoPrimeira dama não, matriarca do teatro paranaense. É assim que a atriz, diretora e professora Lala Schneider prefere ser chamada. E seu pedido deve ser entendido como uma ordem já que essa simpaticíssima senhora de 72 anos (completados anteontem) já se tornou uma espécie de mito dos palcos do Paraná. Seu currículo é vasto - são 63 peças como atriz, outras 20 como diretora, 10 filmes e muitos trabalhos em televisão. Tudo isso lhe rendeu, em 48 anos de carreiras, 11 prêmios de melhor atriz e dois de melhor diretora.
A estréia aconteceu em 50 com o espetáculo O Primeiro Amor, de Nilo Brandão, em que a atriz fazia a vilã. Era uma água com açúcar- lembra-se. De lá para cá foram incontáveis personagens que ela encarnou. Mas dois espetáculos são especialmente lembrados com carinho por trazerem histórias e mais histórias. Ambos foram encenados na década de 60 (datas não são o forte dessa senhora dos palcos).
O primeiro foi Scheikh na Segunda Guerra, de Brecht, em que inicialmente foi recusada para fazer a protagonista por não ter o tipo ideal. Mas fui fazer aulas de canto e acabei sendo aprovada pela minha voz- recorda-se. O outro é Entre Quatro Paredes, de Sartre, que lhe rendeu dois prêmios nacionais de melhor atriz nos Festivais de Belo Horizonte e Porto Alegre.
Vitalidade e talento são as palavras que melhor classificam Lala Schneider. Como conta, por ano são dois ou três espetáculos. E em cada um imprime sua personalidade, seu estilo de atuar. Um detalhe: laboratório para compor personagem parece, a seu ver, ser uma balela. Personagem a gente pega aqui, ó - diz ela, levando as mãos ao ar como se capturasse algo. Compor um personagem e fazer teatro só são complicados para gente que não gosta de fazer- complementa.
Mesmo tendo atuado em outras frentes, o teatro é o veículo que mais dá prazer à veterana atriz. E é como consagrada figura teatral que ela retorna aos palcos londrinenses onde, em 87, durante o 17º Festival Universitário de Teatro de Londrina, foi a grande homenageada. O teatro me ocupa, constrói minha vida. Sou aposentada pelo INSS (como funcionária do Sesi), tenho apenas um filho e um neto. Imagina minha vida sem o teatro. Sem ele eu estaria aposentada também como ser humano- diz ela.
(A.M.J.)





