O roteiro passou por vários departamentos de análise da Globo, segundo o ator Marco Nanini, até virar o episódio ''Um Tapinha Não Dói'' em 2002, segundo ano do programa que entra na décima temporada.
Série brasileira há mais tempo no ar, ''A Grande Família'' volta à programação no próximo dia 8. Além de um elenco de grandes atores, o sucesso pode ser explicado pelo talento dos autores, Bernardo Guilherme, 44, e Marcelo Gonçalves, 39.
Quando deram início ao texto do seriado, em 2001, os dois tinham em mãos os originais de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianninha (1936-1974), para a primeira versão do programa, exibido de 1972 a 1975.
A ideia era adaptar 12 textos, mas a equipe produziu roteiros inéditos e ganhou espaço fixo na Globo. Eles mantiveram a proposta de elenco de qualidade e das boas histórias. ''O humor não deve ser finalidade, mas ferramenta. Não temos piadas, o que temos são situações engraçadas'', diz Bernardo Guilherme.
Segundo o diretor-geral, Maurício Farias, ''há, na verdade, um grande controle de temas''. ''Não tem humor preconceituoso, apelativo. Dificilmente se faz piada com 'a' gostosa ou 'o' pária. O humor passa pelo cotidiano da classe média baixa''.
O tom ''correto, mas não reacionário'', como define Marcelo Gonçalves, sustenta-se na ''pretensão de falar para todo mundo''. O programa está entre as maiores audiências da Globo (no ano passado, teve média de 33 pontos).
Ao todo, sete roteiristas escrevem os episódios. Os atores podem consultá-los, sugerir mudanças e até derrubar histórias.
Lúcio Mauro Filho, o Tuco, por exemplo, não se sentia à vontade para fazer graça sobre a confusão do jogador Ronaldo com um travesti - e a cena caiu. ''Conseguimos fazer graça sem vulgarizar'', diz o ator.
Para Marco Nanini, ''tudo o que não contribuir para contar a história, é dispensável. ''A moral é muito díspar. Você tem que seguir uma base que tenha coerência com uma família de subúrbio''.

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