A geração dos 30 ganha audiência
Ricardo Bairos
Agência Estado
Estréia no sábado, às 20h30, na Bandeirantes, o seriado mais comentado dos últimos tempos na TV norte-americana, Ally McBeal, consagrado em janeiro ao ganhar dois Globos de Ouro. A série sobre uma advogada de 27 anos que trabalha em uma firma de Boston, Massachusetts, tem uma audiência crescente nos Estados Unidos e já elevou a desconhecida atriz Calista Flockhart à categoria de estrela. Em Ally McBeal, a personagem principal é bonita, mas também inteligente, insegura e emotiva (nunca piegas). A trama gira em torno de acontecimentos do dia-a-dia de um grupo de pessoas de quase 30 anos.
O criador da série é David Kelley, responsável também por L.A. Law e The Practice, além de três longas-metragens. Ele recebeu a encomenda de desenvolver um programa para o mesmo público de Melrose, mulheres entre 18 e 34 anos. O resultado foi uma série com humor sofisticado, que lida tanto com problemas femininos quanto masculinos. Entre os temas que já fizeram parte nos 13 primeiros capítulos estão o tamanho do pênis e a satisfação das mulheres na cama.
A parte principal da trama de Ally McBeal é a convivência entre a advogada e seu ex-namorado da adolescência, Billy Alan Thomas, interpretado pelo ator Gil Bellows. Ally e Billy namoram desde os 7 anos (!), época em que brincavam de médico. O problema é que ele agora está casado com Georgia (Courtney Thorne-Smith, de Melrose Place) e os três são funcionários do mesmo escritório. Outros temas do seriado vão do julgamento de um casal de lésbicas à defesa de um travesti adolescente. Tudo em uma série de ambientes corporativos que inclui um banheiro unissex.
Kelley - que escreve todos os diálogos - criou também uma série de artifícios para completar seu setting. Os pensamentos de Ally em geral ganham tom surrealista, ao serem retratados com cenas de realismo fantástico: ela já se imaginou dentro de uma xícara gigante de cappuccino com um modelo e teve uma série de visões de um bebê dançante ao sentir o relógio biológico clicando. Outro recurso é a presença da cantora Vonda Shepard, que teve sua carreira impulsionada pelo programa.
Desde que Desi Arnaz brilhou em I Love Lucy e os Monkees apareceram em seu próprio seriado um músico não ganhava tanta exposição em um seriado de TV. A cantora de 34 anos, que até pouco tempo atrás tentava promover seu disco independente com pequenos shows em bares de Los Angeles, foi disputada por diversas gravadoras e acaba de lançar Songs From Ally McBeal, pela Sony, que passou várias semanas entre os discos mais vendidos da parada da Billboard.
Vonda, que foi descoberta por Kelley e sua mulher, a atriz Michelle Pfeiffer, é responsável pelo tema de abertura do programa e também aparece duas ou rês vezes em cada episódio fazendo a trilha sonora do bar onde os advogados se encontram depois do expediente. De acordo com Kelley, ela também funciona como uma espécie de consciência de Ally, cantando canções que tenham alguma relação com o clima da cena.
O ponto alto de Ally McBeal é mesmo a atuação de Calista Flockhart. Saída do circuito teatral nova-iorquino, ela havia feito uma pequena participação em A Gaiola das Loucas, como a noiva do filho de Robin Williams. Depois de tentar - sem sucesso - uma série de papéis em produções de Hollywood, acabou sendo escolhida para o programa assim que foi apresentada a Kelley. Alguns acham que um dos fatores foi a semelhança dela com a mulher do chefe, a Mulher Gato mais recente.
Se o look de Calista convenceu o júri do Globo de Ouro a lhe dar o prêmio de melhor atriz em uma série de TV, Ally McBeal confirmou seu fôlego ao desbancar programas consagrados, como Friends, Seinfeld e Frasier do posto de melhor seriado da temporada. Os prêmios serviram para garantir vida longa a Ally McBeal: a Fox, que exibe o programa nos Estados Unidos, já encomendou outra temporada de episódios e quer faturar ainda mais com o franchising. Deve chegar em breve às lojas de departamentos dos Estados Unidos a linha de roupas de Ally McBeal.





