Um dos pontos mais tradicionais de Londrina, a Galeria do Cine Vila Rica, passa por um período de mudanças, na tentativa de se tornar um lugar tão frequentado como nas duas últimas décadas. A galeria se localiza junto a importantes referenciais arquitetônicos de Londrina, como a Secretaria Municipal de Cultura, Concha Acústica, Centro Comercial, o edifício da Folha de Londrina e Agência dos Correios. Por isso, é facilmente localizada por todos.
A Galeria do Cine Vila Rica viveu dias de glória desde que foi criada em 1967, notadamente nos fins de semana. Na tentativa de revitalizar esse espaço, o assessor administrativo do Conjunto Folha de Londrina, Idalto José de Almeida, juntamente com outros condôminos tomaram uma série de medidas, como a troca dos elevadores e a reforma do hall de entrada. O próximo passo, segundo Idalto, será a padronização dos luminosos dos 25 pontos comerciais, obedecendo a um padrão arquitetônico mais moderno, seguindo a tendência das galerias construídas recentemente.
Para fomentar a circulação de pessoas pela galeria, duas exposições de fotos ocupam os corredores. A primeira, com trabalhos de amadores, com destaque para Dolores Adelia Pedrassolli. A outra apresenta trabalhos da fotógrafa argentina Virginia Yunes, retratando suas viagens a Guiné Bissau, apresentando traços culturais daquele país africano. Um jornal interno – Jornal do Conjunto Folha – com tiragem de 1.000 exemplares circula mensalmente.
Mas o cinema sempre foi o carro-chefe, nesses 33 anos de existência da galeria. A partir de 1987, o Cine Vila Rica com 1.100 lugares foi dividido em duas salas, ficando com 540 lugares e a nova sala, o Cine Londrina, com 310. O local foi um dos pontos mais procurados para lazer e diversão até meados da década de 90. Depois da abertura dos cinemas no Shopping Catuaí, ocorreram apenas surtos de grande fluxo de público.
Dois funcionários do local conhecem muitas histórias desses áureos tempos. Edgar Nunes Pereira trabalha há 22 anos no condomínio. Alcides Cândido de Souza se aposentou na Empresa Araújo e Passos Ltda, proprietária das salas de cinema, e agora trabalha no condomínio. Alcides trabalhou em vários cinemas da empresa por ‘‘27 anos, 10 meses e 24 dias’’, como gosta de frisar. A dupla participou do período de intenso fluxo de pessoas pelo local e enfrentou as multidões afoitas. Num dos episódios inesquecíveis, o filme ‘‘Mad Max – Além da Cúpula do Trovão’’, em 1985, arrebatava numerosas platéias às salas. Na época, às sextas-feiras, o cinema ofertava uma sessão extra à meia-noite. O sucesso do filme foi tamanho que abriram uma outra das 2 às 4 da manhã. ‘‘Tivemos que contornar a situação para não ter sessão das 4 às 6’’, lembra Alcides. Numa das sessões, os fãs de Mel Gibson e Tina Turner chegaram a quebrar os vidros da bilheteria, por não conseguirem ingressos.
Numa das promoções do cinema, o ingresso do filme ‘‘Lua de Cristal’’, de 1990, protagonizado por Xuxa, valeria um quilo de alimento não perecível. Uma multidão não conseguiu entrar e, enfurecida, agrediu Alcides e Edgar. ‘‘Eles jogavam arroz e feijão na gente. Tivemos que chamar os bombeiros’’, lembram. Literalmente, houve choro e ranger de dentes naquela tarde inesquecível de 22 de junho de 1990.
A queda do público para as salas dos chamados cinemas de rua se generalizou em todo o País. Existem pouco mais de 30 salas desse tipo em todo o Brasil. Um fator determinante para esse fato, se deu após a proliferação de salas em shoppings, mais confortáveis, melhores equipadas, e com melhor capacidade de seduzir o espectador. O quesito segurança também conta. Pode-se agregar a isso, a concorrência com o vídeo e TV a cabo.
Em função do declínio do número de espectadores, a partir do próximo ano, de acordo com a gerente dos cinemas Jenifer Batista Cordeiro, o cinema vai partir para as parcerias com os lojistas da galeria, em campanhas promocionais. A partir de um valor determinado de compra, pode-se ganhar um ingresso de cinema.
Além disso, Jenifer propõe investimentos na área de marketing. Em relação à programação dos filmes – que muitas vezes entram em cartaz após saírem dos cinemas do Shopping Catuaí, pertencentes também à Empresa Araújo e Passos – a gerente alega um número de cópias insuficientes enviadas pelas distribuidoras internacionais. Esse fator, certamente, distancia ainda mais os espectadores das salas de cinema do centro.

mockup