A fúria criativa de John Coltrane
De todos, ele foi o mais influente, inspirando legiões de amantes do sax tenor em todo o mundo. A partir da década de 60, a sombra de John Coltrane (1926-1967) ultrapassou as fronteiras do jazz, a ponto de críticos só lhe encontrarem rival no trompete de Miles Davis.
''Ele disse que procurava o som universal, mas a tragédia é que o som por ele buscado não estava no universo'', afirmou o crítico Doug Ramsey. ''O Free Jazz de John Coltrane'' é o tema da palestra de hoje, às 18h15, no Espaço Caixa (antiga Associação Médica), com entrada gratuita, dentro da programação do 27º Festival de Música de Londrina.
O programa faz parte do ciclo de conferências ''Como ouvir Música'', com Sérgio Molina. De biografia acidentada, como a de boa parte dos grandes nomes do jazz, Coltrane foi profudamente religioso ao mesmo tempo que alcoóltra e viciado em heroína. Ganhou reputação tocando no Miles Davis Quintet, quando já estava com 30 anos.
Entre os discos que gravou, pelos menos três são venerados como transcendentais pelos críticos: ''Giant Steps'' (1959), ''My Favourite Things' (1960) e ''A Love Supreme'' (1964). Foi no segundo que o saxofonista introduziu a modalidade arriscando improvisos de uma hora (a do disco durava apenas 13 minutos, mas uma versão ao vivo posterior tinha 45 minutos). O álbum marcou a estréia do célebre e duradouro quarteto com McCoy Tyner (piano), Elvin Jones (bateria) e Steve Davis/Jimmy Garrison (contrabaixo).
Coltrane desenvolveu um estilo absolutamente próprio, onde predominavam as chamadas sheets of sound (folhas ou camadas de som), que se compunham de longas frases de notas rápidas tocadas em legato. Partindo para uma radicalização da harmonia, que o leva à beira da atonalidade, o artista também fragmenta e desconstrói os temas deixando-os quase irreconhecíveis sob um congestionamento de frases torturadas.
Na fase final de carreira, ele se juntou a sangue novo embarcando na improvisação coletiva do free jazz ao lado de músicos como Archie Shepp, Pharoah Sanders e Rashied Ali. O disco ''Ascension'' é considerado a obra-prima desse período. Já profundamente místico e religioso, Coltrane morreu de câncer do fígado em 1967. Segundo alguns críticos, teria partido desta para outra levando o free jazz junto com ele.(N.S.)





