A fronteira entre o crime e a arte
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sexta-feira, 08 de janeiro de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local
Apesar de o grafite ainda ser considerado uma arte marginal - e até mesmo vandalismo nos dias de hoje -, se consolida, cada vez mais, como uma manifestação artística urbana que se profissionalizou com grande maestria em alguns países. Tanto que o Brasil é um dos expoentes nessa área, com vários artistas respeitados e renomados mundo afora, sobretudo por causa das técnicas e criatividade.
Com características bem marcantes, os traços do grafiteiro londrinense Napa é um dos que vem ganhando espaço e reconhecimento nesse meio. Quem quiser conferir de perto, tem a oportunidade de visitar a exposição "Entre Crimes e Cores", que reúne algumas telas com seu trabalho, além de uma grande parede pintada. A abertura acontece amanhã, às 19h30, no Sesc Cadeião Cultural, e segue até o dia 31 de março. A entrada é gratuita.
O título da exposição não é por acaso. "A expressão do grafite, geralmente, acontece em espaços públicos ou grandes paredes de locais abandonados; nasceu com essa natureza, ainda que hoje ocorra dentro de galerias. Assim, se não existir autorização, é considerado crime, ato de vandalismo. É uma arte que vive nessa fronteira", diz Napa.
As cores fortes, por sua vez, são constantes em seu trabalho, cuja característica marcante é o nariz destacado. "Eu tenho um nariz avantajado, por isso, o apelido de Napa. Acabei passando isso para meus desenhos e ficou como uma marca registrada", conta, rindo. Além das cores, suas imagens mesclam várias técnicas. "Hoje, uso mais o free style, que é um estilo em que não há um croqui ou esboço prévio. Chego no lugar e desenho o que me vem à cabeça utilizando várias referências ao mesmo tempo. Faço tudo no improviso."
Portanto, grande parte de seus desenhos é feita com uma mistura de técnicas que o artista aprendeu ao longo dos anos de forma quase que autodidata. "Sempre fui muito curioso e estudava sem parar, além de perguntar muito para quem já estava há mais tempo", reconhece.
Napa começou com traços ao estilo "bomb", passando pelo "throw up" e "peace". "O grau de dificuldade e elementos, como contorno, sombras e fundo, vai aumentando de uma para outra", explica. Com mais experiência, ingressou no "wildstyle", "3D" e "personas" até chegar no "realismo". "Só me considerei, realmente, um profissional, quando consegui desenvolver o realismo, ou seja, reproduzir uma imagem exatamente como na foto. Para chegar a esse nível, foi preciso muita dedicação e estudo aprofundado da arte em geral, incluindo trabalho de artistas históricos e outros tipos de materiais", destaca.
Serviço:
Exposição "Entre Crimes e Cores", do grafiteiro Napa
Quando - Abertura amanhã, às 19h30. Visitação até 31 de março
Onde - Sesc Cadeião Cultural (R. Sergipe, 52)
Quanto - Gratuito