À francesa
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segunda-feira, 30 de novembro de 2015
Caroline Borges<br>TV Press 
O caráter transgressor do clássico francês "Ligações Perigosas", de Choderlos de Laclos, atravessou o tempo. A obra publicada em 1782 foi um marco na literatura mundial. Anos depois, e após diversas adaptações do livro para o cinema, a Globo decidiu apostar na arrojada trama de sedução e traição com a minissérie "Ligações Perigosas", que estreia dia 4 de janeiro.
O roteiro, escrito por Manuela Dias, retrata o embate entre a malícia e a ingenuidade, o desejo e a virtude, a perversidade e o amor. "É uma trama sensacional. Vai muito além de uma história de amor. Tem uma pegada de luxúria muito forte, que as pessoas gostam muito de ver", valoriza Vinícius Coimbra, que assina a direção geral.
Ambientada em 1928 em uma pequena cidade fictícia do Sudeste brasileiro, a história principal gira em torno de Isabel D'Ávila de Alencar e Augusto de Valmont, interpretados por Patrícia Pillar e Selton Mello. Os dois são libertinos convictos e amantes ocasionais. Ao longo da trama, a dupla arquiteta planos envolvendo outras pessoas, brincando de seduzir e destruir a vida de terceiros. "Eles fazem tudo por prazer e para mostrar que não são manipuláveis como os outros. É uma trama repleta de sedução, traição e amor. São personagens muito humanizados. Muito bom poder revisitar um clássico", explica Selton.
No entanto, a parceria dos personagens entra em desequilíbrio com a chegada da recatada Mariana, vivida por Marjorie Estiano. Inicialmente, a relação do "bon vivant" com a carola não passa de uma aposta entre o casal. Porém, ele começa a se envolver com a jovem ao longo dos capítulos. "Mariana sempre acreditou ter sabedoria para lidar com as intempéries, até que se apaixona. A série mostra esse percurso, as perturbações, as transformações promovidas por isso na personagem, nas suas relações e as consequências dessas escolhas", adianta Marjorie.
A principal fonte de inspiração estética de Vinícius foi o cinema francês. Para isso, o diretor se baseou na versão homônima cinematográfica feita por Stephen Frears, de 1989, e no longa "Rainha Margot", de Patrice Chéreau, de 1994. "Quis retratar uma fotografia mais antiga e clássica. Acho esses dois filmes fundamentais para o projeto. Era necessário beber dessa fonte", afirma ele, que optou por um set esfumaçado durante as gravações. "A fumaça vai parecer poeira em cena. Ela ajuda a quebrar essa dureza das câmaras digitais atuais", completa.
Apesar de contar com nomes veteranos no elenco, como Selton Mello, Patrícia Pillar, Marjorie Estiano e Aracy Balabanian, a produção também terá atores conhecidos do público jovem, como Alice Wegmann. Na trama, a atriz vive a inocente Cecília, uma jovem que acaba de sair do convento e se envolve com o professor de música Felipe, interpretado por Jesuíta Barbosa. "Após tanto tempo presa em um colégio, ela tem uma curiosidade absurda e quer tudo ao mesmo tempo. Venho de papéis mais solares e joviais. É o meu trabalho mais denso", aponta Alice.
Com 10 capítulos, a minissérie contou com locações no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e na Fortaleza de Santa Cruz, em Niterói. Além disso, em outubro, parte do elenco viajou para a Argentina, nas cidades de Puerto Madryn e Concepción del Uruguay, onde fica o Palácio Santa Candida, outra locação da trama. Na ficção, o palacete pertence a Consuêlo, personagem de Aracy Balabanian, e fica localizado no litoral do sudeste brasileiro. "Focamos em planos abertos porque os cenários contam bastante a história também. Temos poucos cenários e ambientes para dar mais consistência", explica Vinícius.


