O impacto das instalações do ''artivista'' aponta para uma tendência não muito recente, mas em alta: a valorização dos artistas ''de rua'', a consequente migração desses para as galerias e a posterior valorização das exposições a céu aberto - agora autorizadas e patrocinadas. Prova disso? A menos de 100 metros da Casa França-Brasil, no Centro Cultural Banco do Brasil, é possível visitar a exposição ''Vertigem'', dos Gêmeos, despontados para o circuito da arte por seu trabalho com o grafite nas ruas de São Paulo.
Assim como os Gêmeos, JR começou sem grandes pretensões. Iniciou-se na fotografia em 2000 quando, aos 17 anos, encontrou uma câmera esquecida no Metrô de Paris. Em 2004, ganhou notoriedade ao clicar moradores da periferia de Paris e espalhar as fotografias pelos bairros turísticos da cidade. Em 2007 partiu para a Faixa de Gaza, onde fotografou as semelhanças de moradores de Israel e da Palestina. Daí surgiu o projeto ''Face2face'', exposição não autorizada pela qual foi preso em Hebron. Em 2008, foi para a África para iniciar o projeto ''28 mm - Women'', que passou por Libéria e Quênia antes de chegar ao Morro da Providência.
Apesar de possuírem características semelhantes, como o caráter espetacular das mostras a céu aberto e a escolha por lugares sofridos e superficialmente retratados pela mídia, o ''artivista'' esclarece que não repete um molde de projeto: ''Eles sempre envolvem uma nova estrutura, dependendo do tamanho, do contexto e da comunidade''. O que se mantém, garante, ''é a mesma maneira de trabalhar, as fotos em preto & branco - para diferenciar da publicidade - e o respeito pelas pessoas fotografadas''.

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