Crianças abusadas, mulheres estupradas, incestos, perversidades em profusão... Não é nada cor-de-rosa a vida que aparece na série ''Lei & Ordem: Unidade de Vítimas Especiais'' (ou ''Law & Order: Special Victims Unit'', como é chamada até aqui no Brasil pelo Universal Channel), sobre o cotidiano de policiais especializados em crimes sexuais. Mas é muito difícil tirar o olho dela.
Para quem ainda não é fã, a recém-lançada caixa com toda a terceira temporada (2001-2002) pode valer como uma iniciação de choque. O conjunto de 23 episódios é melhor do que os dois anteriores. A barra é tão pesada quanto, mas atores, personagens e histórias estão mais firmes.
O ainda-não-fã pode afirmar que não existe essa história de barra pesada, pois tudo é ficção à americana, com bem realizados simulacros de realidade para satisfazer nossas fantasias recônditas-punitivas, sanguinolentas, voyeurísticas, etc.
Não estará errado. Mas, Freud e Adorno à parte, o que destaca ''Lei & Ordem'' da enxurrada de enlatados que nos soterra é a excelência de suas tramas e seus diálogos, somada às contradições dos personagens. Fosse outra luta do bem contra o mal pelas ruas de Nova York, seria um tosco mais-do-mesmo. É melhor do que isso.
No Brasil, segundo o Ibope, ''Lei & Ordem'' é a terceira série mais vista da TV paga em 2008. Nos EUA, já amealhou 29 prêmios, incluindo um Globo de Ouro (2005) e um Emmy (2006) para Mariska Hargitay. A décima temporada estréia em 23 de setembro lá e antes do fim do ano aqui.
O mérito é, principalmente, de Dick Wolf, o roteirista que criou a marca ''Law & Order'' em 1990 com a primeira das séries - até hoje sendo produzida - e depois concebeu os subprodutos ''Special Victims Unit'' (estreada em 20 de setembro de 1999) e ''Criminal Intent'' (2001).
Mas é também dos atores. Christopher Meloni (Elliot Stabler) e Hargitay (Olivia Benson) interpretam um par afinado de detetives sempre à beira da explosão - e que explodem várias vezes. Pedofilia para ele (pai de quatro filhos) e estupro para ela (nascida de um) são os temas mais delicados. Ah, e eles não têm um caso.
Acertam muito, mas não erram pouco. Nesta terceira temporada, por exemplo, Olivia não consegue entender o que deseja um homem que ela prendeu anos antes - e era inocente - e acaba matando-o, embora ele tivesse dito que sua arma estava descarregada. Já Elliot, obcecado por um estuprador, insiste em atribuir crimes a ele, deixando que adolescentes sejam assassinadas pelo verdadeiro culpado.
O íntegro capitão Donald Cragen (Dann Florek), o cético (mas nem sempre) detetive John Munch (Richard Belzer) e seu parceiro Fin Tutuola (o rapper Ice-T), que vê as coisas sob uma perspectiva sócio-racial, são decisivos para compor um tenso e cativante painel.

SERVIÇO
- Lei e Ordem - SVU - 3º temporada
Distribuidora - Universal
Quanto - R$ 130, em média (seis DVDs, com 23 episódios)

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