A FORÇA DE BETHÂNIA
SHOW A FORÇA DE BETHÂNIA Música, teatro e poesia se fundem no elogiado espetáculo A Força que Nunca Seca, que Maria Bethânia apresenta hoje em Curitiba BethÍnia: capacitada para guardar algumas pedras mágicas do mundo O homem moderno vive lutando, sem tempo de olhar para a magia da terraReproduçãoShow, dirigido por Fauzi Arap, é definido por Bethânia como um jeito individual de olhar o meu País Zeca Corrêa Leite De Curitiba Há um Brasil pulsante por detrás do outro Brasil, aquele complexado que vive dourando suas pílulas e dizendo serem parecidas com as de primeiro mundo. Esse País pulsante carrega ainda a inocência de não se comparar a nada. É o que é. Esta terra será cantada hoje em sons e versos por Maria Bethânia, a partir das 21 horas, no Teatro Guaíra, no espetáculo A Força que Nunca Seca. Chega, afinal, o show que já foi aplaudido por uma platéia que supera 20 mil pessoas e que se transformou em disco, sendo a grande sensação da temporada de 99. Bethânia vai ao encontro de um País com a mesma entrega apaixonada dos amores mais alucinados. É a sua marca. Não é a primeira vez que as cores brasileiras estão em cena o antológico Rosa dos Ventos levantava a rota bandeira já no início dos castigados anos 70 e, mais recentemente, em Âmbar Imitação da Vida, ela caminhava dentro de um cenário saído de festa de interior, acompanhada por músicos vestidos com terno de linho branco. Agora, mais uma vez, a cantora é dirigida por Fauzi Arap, prosseguindo um casamento que caminha para os 33 anos de total felicidade. A química entre os dois é perfeita. A Força que Nunca Seca, devidamente registrado num álbum duplo, é consequência do CD homônimo lançado no início de 99, quando o público surpreendeu-se com a artista interpretando um hit sertanejo da dupla Zezé de Camargo e Luciano, É o Amor. Um crítico escreveu na época que é inesgotável a capacidade de Bethânia em transformar pedra em ouro. Mas o melhor do disco está na segunda faixa, Luar do Sertão, de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense, clássico poucas vezes gravado nos últimos tempos (possivelmente o último registro seja do CD Renato Teixeira, Pena Branca e Xavantinho ao Vivo em Tatuí). A própria Bethânia disse à época do lançamento que se pudesse ela cantaria somente essa música. Enfim, tudo o que queria dizer com o trabalho show e disco está nos versos do poeta. Como tem-se uma certa distância, entre a intenção e a realidade o CD veio com 14 faixas. O espetáculo ampliou o leque para 43 canções, sem perder o tom, a cor e o espírito inicial. Zezé Di Camargo está lá pelo meio do repertório, entre uma composição de Maysa e outra de Pixinguinha e Hermínio Bello de Carvalho. Luar do Sertão ficou entre duas músicas de Villa-Lobos. Mas tem também Dona Ivone Lara, o mano Caetano, Chico Buarque, Gilberto Gil, Sueli Costa e, é claro que não poderia faltar, a dupla Roberto e Erasmo Carlos, com uma criação das mais inspiradas, As Flores do Jardim da Nossa Casa. A artista reitera a vontade primeira que norteou todo o projeto: todo esse trabalho sustenta-se num depoimento de saudade, de falta, de perda. Quando ela canta o Brasil, é aquela terra caipira que canta. Não é o Brasil que imita Nova York, sublinha. No rio de paixões outro nome que não ficaria de fora: Fernando Pessoa. Maria Bethânia declama o poeta português em Nessa Vida em que Sou Meu Sono, de Manuel Alegre traz o texto de Senhora das Tempestades e de Castro Alves, Navio Negreiro. A música que finaliza o espetáculo, Na Carreira, de Edu Lobo e Chico Buarque, é um desfecho de todos os sentimentos. No poema de Chico fala-se dos artistas que vêm e vão pelas cidades, levando sua arte, e saindo de madrugada, antes que o coração crie raízes. A Força que Nunca Seca, show com Maria Bethânia. Direção de Fauzi Arap. Única apresentação hoje, às 21 horas, no Teatro Guaíra, em Curitiba. Ingressos: R$ 50,00 (platéia), R$ 45,00 (primeiro balcão), R$ 35,00 (segundo balcão).





