A força da insubordinação
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quinta-feira, 21 de junho de 2012
Ana Paula Nascimento <br> Reportagem Local 
O não aceitar tem diversas facetas e modos de expressão. No espetáculo ''Bartleby'', do Núcleo Caixa Preta, de São Paulo, a insubordinação chega ao limite, trazendo à tona questões que vão além da relação de poder entre empregado e patrão. A peça, que já está há três anos em cartaz, é uma parceria do Filo com a Funcart pelo projeto Procultura, do Governo Federal. As apresentações serão realizadas sábado e domingo, às 20 horas, no Circo Funcart. Os ingressos, distribuídos gratuitamente, estão esgotados.
A montagem traz uma nova releitura do conto do norte-americano Herman Melville, escrito no século 19 mas extremamente contemporâneo, que também serviu de inspiração para o espetáculo ''Preferiria não?'', de Denise Stoklos, apresentado na abertura do Filo 2012, no dia 8 de junho.
Com adaptação do dramaturgo espanhol José Sanchis Sinisterra e direção de Joaquim Goulart, ''Bartleby'' traz no elenco Cácia Goulart e Rodrigo Gaion. ''O conto original traz cinco personagens, mas na nossa adaptação decidimos enfocar apenas os conflitos dos dois principais: o escriturário e o advogado, que prometem momentos hilariantes'', conta Cácia, que já recebeu duas indicações como melhor atriz pelo Prêmio Shell - em 2003, por sua atuação em ''Navalha na Carne'', de Plínio Marcos, e em 2008, por sua atuação em ''Bartleby''.
Depois de trabalhar durante sete anos como bancária, Cácia concorda que de certa forma a decisão de tentar a carreira de atriz somente aos 30 anos foi uma tentiva de fugir um pouco de um trabalho burocrático, que agora ajudou na composição da sua personagem. ''Não há como passar ilesa dessa experiência e a frase 'prefiro não', do Bartleby, é bombástica e vai minando esse espaço, essa relação de subordinação, destruindo um sistema de normas e regras predeterminadas'', avalia a atriz, de 44 anos.
Admiradora há mais de 15 anos do texto em que se baseia a peça, Cácia ressalta que a dramaturgia é bastante complexa, abrindo espaço para reflexões de âmbito social, filosófico e também sobre as relações de trabalho. ''Além disso, a peça fala sobre o 'não' em relação ao mundo contemporâneo que é o das cópias, das reproduções de padrões. Faz um metáfora da vida de repetição de valores e comportamentos'', reflete.
O Núcleo Caixa Preta desenvolve seus trabalhos de modo a utilizar a linguagem teatral como veículo de expressão e como fonte de ampliação do conhecimento e do pensamento crítico. O cenário simbólico, monocromático, composto por divisórias repletas de pranchetas servem para retratar a monotonia do trabalho de um copista e da vida de Bartleby.
Desse modo, a montagem converge suas atenções para o texto e para o trabalho dos atores, enfatizando, como o autor, o contraste entre dois seres opostos: o escriturário e seu chefe. O trabalho cenográfico de Andre Cortez, aliás, também recebeu indicação do Prêmio Shell como melhor cenário.
Depois de fazer apresentações em Blumenau, Florianópolis, Joinville e Londrina, o grupo irá se apresentar em Petrópolis e no Rio de Janeiro.
Serviço:
- Bartleby, do Núcleo Caixa Preta (São Paulo/SP)
Quando - Sábado e domingo, às 20h
Onde - Circo Funcart (Rua Souza Naves, 2.380)
Duração - 1h15min
Classificação indicativa - 14 anos
* ingressos esgotados


