Roberto Reinchenback/DivulgaçãoPaloma Mendonça e Marlisi Rauth em cena: clássico do teatro ganha linguagem novaSe vaia fosse sinal de fracasso, a peça ‘‘Ubu Rei’’, de Alfred Jarry, há mais de um século nos palcos de todo o mundo, com estréia marcada para esta noite no Teatro Novelas Curitibanas, não teria saído da primeira frase. O enterro seria no Teatro de l’Ouvre, na noite de 10 de dezembro de 1896.
Ergueu-se o pano e o grande ator Firmin Gémier avançou para a ribalta. Então a platéia ouviu, entre atônita e revoltada, uma única palavra: ‘‘Merde!’’. Foram 15 minutos de xingos, gritos, objetos jogados no palco. Recomeçou o espetáculo, voltou a ‘‘merde!’’ e o tumulto. Vencidos os percalços iniciais, a peça tomou o caminho dos textos clássicos.
‘‘Ubu Rei’’, considerado por muitos como precursor dos movimentos Dada e Surrealista, foi escrito por Alfred Jarry na adolescência. Ele tinha 15 anos e um fastio misturado à revolta contra seu professor de matemática. Para ridicularizar o mestre deu vazão à imaginação e tornou-se, a partir daí, o precursor da vanguarda poética. A montagem viria oito anos depois.
Atração pelo poderO espetáculo tem seu enredo firmado no fascínio pelo poder. Pai Ubu e Mãe Ubu cumprem a sina dos ex-ditadores. Perdem o trono em Aragão e refugiam-se na Polônia, sendo recebidos por Venceslau, descendente da dinastia do Konisber.
Contaminado pelas púrpuras da autoridade máxima de um país, Pai Ubu não pensa duas vezes. Assim que tem uma chance assassina o rei, sua família e assume o posto. Ao seu lado Mãe Ubu, que é a mentora trágica de seus atos, segue lapidando a própria maldade. Depois do derramamento de sangue dentro do palácio, começa o horror do povo.
Pai Ubu mata indiscriminadamente a população para se apropriar de sua riqueza e dos cargos importantes que porventura ostentavam. Para aumentar o tesouro oficial baixa impostos cada vez mais pesados sobre a população enfurecida. Os inimigos vicejam por toda parte. Até que chega o dia do acerto de contas, quando os descontentes juntam-se para derrubá-lo do poder.
A comédia que ridiculariza o poder e a prepotência, recebeu do diretor Fernando Klug uma adaptação que usa a linguagem clown e cenas de interação entre público e platéia. O elenco é formado por atores do Núcleo Avançado de Teatro mantido pelo Novelas Curitibanas. A temporada que se inicia hoje prossegue até dia 23 de novembro.

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