A FOLIA DE REIS CONTINUA VIVA
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sábado, 06 de janeiro de 2001
Francelino França De Londrina 
Os três reis saíram de viagem/ para cumprir seu destino/ batendo de porta em porta/procurando o Deus menino. Com esses versos de domínio público, o embaixador da Folia de Reis faz a saudação peregrina na porta dos lares onde param, levando a tradição que remonta o século 13. No Paraná, os grupos sobrevivem ao terceiro milênio graças à obstinação de homens de fé, pois a tradição no Estado é acanhada.
Em Londrina, o Grupo Mensageiros da Paz, percorre há 11 anos os bairros periféricos da cidade, com 15 pessoas entre seus componentes. O embaixador do grupo e estudioso do tema, o vigia Francisco Garbosi, é autor de Mensagens e Embaixadas de Folia de Reis, uma das poucas literaturas do gênero no País. Ele explica que o grupo encontra um ponto de apoio em um bairro, enquanto percorre outras casas nas imediações. Nesse ano, mais de 15 bairros da cidade foram visitados por eles, levando o estandarte da tradição.
Os Reis Magos vieram de lugares distantes. Se prostraram diante do Jesus Menino, buscando misericórdia, explica Francisco. Todos se apresentam paramentados, levando a mensagem de vida nova, esperança e paz. O primeiro verso é de saudação e pedidos de oferta à bandeira. A família recebe a bandeira e a leva em todos os cômodos da casa, esclarece. O Grupo Mensageiros da Paz se apresenta hoje, a partir das 11 horas, saindo da Secretaria de Cultura (Praça Primeiro de Maio, Centro), passando pelo Calçadão, e depois será recebido no Restaurante 4 Estações.
Nessa época, os convites de apresentação se multiplicam também para a Cia. de Reis Estrela do Oriente, sediada no distrito de Guaravera (a 40 km ao sul de Londrina). Com 20 anos de estrada, a manutenção dos ritos tradicionais da Folia de Reis, segundo o embaixador José Costa, poderia ser potencializada se as apresentações não se limitassem apenas ao período comemorativo ao nascimento de Jesus. José Costa sugere: A Secretaria de Cultura poderia prestigiar a Folia de Reis durante algum evento convidando os grupos para se apresentarem. Assim, a manifestação popular de fé, imaginação, religião e fantasia poderia ser apreciada durante todo o ano. Percebo que nas famílias que acolhem a nossa bandeira a fé está viva, prossegue.
Outra observação ressaltada por ele se refere à falta de incentivo aos Santos Reis por parte da Igreja, que também poderia incentivar essa demonstração de fé. Esse conhecimento secular aprendido com os pais está sendo repassado a seu filho, de 13 anos, que toca violino na Cia. de Reis Estrela do Oriente, o que dá continuidade ao que ele denomina de missão. A Cia. possui uma matriz de um CD gravada com 8 canções de Reis inéditas, aguardando um patrocínio para a divulgação. Com a venda de fitas com essas músicas, conseguiram pagar o estúdio de gravação.
O Grupo de Galiléia, em atividade há 22 anos, e sediado no Jardim Santa Rita (zona oeste de Londrina), percorreu nesse dias várias cidades do Norte Pioneiro, recebendo donativos que serão entregues à creche do bairro. Somos recebidos até por pastores evangélicos, porque a nossa mensagem de paz é universal, afirma Pedro Peres, 68 anos, embaixador do Grupo, que há mais de 50 anos se dedica a perpetuar os ensinamentos dos Reis Gaspar, Baltazar e Melchior.
De acordo com Peres, no Paraná, a tradição subsiste com um número inexpressivo de grupos em virtude do tipo de colonização do Estado, que recebeu povos de várias etnias. A Folia de Reis existe em todo o Brasil, com determinadas variações regionais. Em outras regiões do Brasil, como a Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, a folia é entoada em todos os lugares. Naquela localidade, existe uma federação que congrega 119 grupos de Folia de Reis, percorrendo os pousos onde estejam armados os presépios. Minas Gerais (o berço dessa manifestação), São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás são estados em que hoje os pedidos ao Menino Deus se multiplicam.


