Dizer coisas simples pode ser algo complicado. A complicação não estaria no conteúdo das palavras utilizadas, mas no que elas dizem quando colocadas lado a lado.
Para falar de uma flor, por exemplo, não basta encontrar palavras para descrever sua forma, sua cor e seu aroma. É preciso dizer mais. É necessário dizer o que a flor sente no momento em que olhamos para ela.
Deveria ser uma coisa simples. Mas, geralmente, temos dificuldade em trabalhar com a simplicidade justamente por considerar as coisas simples como coisas fáceis. Quando encontramos algo complicado, nos empenhamos em entendê-lo e descrevê-lo. Isto requer mais atenção que algo inundado em simplicidade.
Como dizer que uma flor precisa de água quando toda nossa atenção está voltada para guerras, abalos econômicos, enchentes e outras coisas que recheiam os jornais? A solução pode ser simples, até meio boba para as pessoas que prezam as complicações: regar a flor. Simples.
Em ''A Maior Flor do Mundo'', o escritor português José Saramago procura dizer algo simples e percebe como isso é complicado. O mais interessante é que, aceitando o fato, divide com o leitor sua dificuldade.
Lançado pela Companhia das Letrinhas, ''A Maior Flor do Mundo'' é o primeiro livro de Saramago escrito para crianças. Com belas ilustrações de João Caetano, conta a história de um menino em sua andança pelo mundo. Muita coisa ele viu, mas o que mais lhe chamou a atenção foi uma flor. Uma flor murcha por falta de água.
Toda flor precisa de água. Até mesmo as flores do deserto. O menino então empreende todo seu esforço em dar-lhe um pouco de água. E percebe que atos simples e sinceros são difíceis de serem realizados. Na verdade, o mais interessante na história de Saramago não está no que ela diz com as palavras, mas no que podemos pensar a partir dela.
A maior flor do mundo não é uma enorme flor. Trata-se de uma pequena flor. Uma flor qualquer. Uma flor que, quando olhamos para ela, sabemos o que ela sente.


Serviço:

''A Maior Flor do Mundo'', de José Saramago, ilustrações de João Caetano, Editora Companhia das Letrinhas, 30 páginas, R$ 18,00.

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