Divulgação‘‘L’Oiseau de Feu’’, com o Béjart Ballet Lausanne: cartaz de hoje, no GuairãoMaurice Béjart, um dos maiores nomes da dança da atualidade, está no Brasil para apresentações em cinco capitais. Curitiba é uma delas, ao lado de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, embora aqui a apresentação tenha data única - hoje, às 21 horas, no Guairão.
O grande bailarino e coreógrafo, que completou 70 anos de idade no primeiro dia de 1997, traz para esta temporada com a companhia Béjart Ballet Lausanne, os bailados ‘‘L’Art du Pas de Deux’’ e ‘‘L’Oiseau de Feu - (O Pássaro de Fogo)’’.
As duas partes representam uma retrospectiva da carreira do artista. ‘‘L’Art du Pas de Deux’’ é uma coletânea dos melhores ‘‘pas de deux’’ que ele criou ao longo das últimas décadas, e ‘‘O Pássaro de Fogo’’ é como um marco na carreira de mais de 40 anos. Foi sua primeira grande coreografia, criada para a companhia de Birgitt Cullberg, durante a temporada que passou em Estocolmo (Suécia), em 1952.
Paraíso perdidoMaurice Béjart reflete sobre a arte do ‘‘pas de deux’’, considerando o encontro de duas polaridades, duas forças antagônicas que no palco - como na vida - formam o todo. São os dois lados da beleza, que naturalmente é o homem e a mulher, o pai e o filho.
Busca-se num ‘‘pas de deux’’ a unidade através da dualidade, a harmonia e o complemento. ‘‘Essa dualidade é o nosso sofrimento, mas é de onde o poeta, com sua lira, extrai suas notas sublimes e tristes’’, escreveu Béjart, ‘‘Um ‘pas de deux’ talvez seja o paraíso perdido’’.
Em ‘‘O Pássaro de Fogo’’ o coreógrafo propõe que a dança seja a expressão abstrata dos dois elementos sempre presentes na música de Igor Stravinski - ‘‘um sentimento profundo da Rússia e uma certa ruptura com a tradição musical’’, tão marcadamente presente nos seus compositores.
Stravinski trazia consigo a qualidade de ser um revolucionário. Portanto, se o Pássaro de Fogo é o Fênix que renasce das cinzas, também o poeta, assim como o revolucionário, vem a ser o representante do eterno renascimento, pensa Béjart.
Encanto e estranhamentoO Béjart Ballet Lausanne está completando 20 anos. A primeira formação, em 1987, era volumosa, tinha 60 bailarinos e caracterizou-se inicialmente por apresentar grandes produções. Nessa época, o coreógrafo já estava com seu nome na história da dança não só pelos trabalhos realizados em outros grupos, como por ter fundado a companhia Balé do Século XX, em 1960. Realizou diversas turnês internacionais.
Em 1992 o Ballet Lausanne foi drasticamente reduzido para 25 elementos. Essa mudança obrigou a companhia a tomar outro rumo, desenvolvendo outro tipo de trabalho. A rota diversa do que vinha apresentando não empanou o brilho da carreira - o público e crítica mantiveram-se com o mesmo entusiasmo. Nesta nova fase foram encenadas coreografias como ‘‘Le Mandarin Merveilleux’’ (1993) e ‘‘King Lear-Prospero’’ (1994) com grande repercussão na França.
Seja em grandes ou médias formações, a genialidade de Maurice Béjart está sempre presente. Nascido a 1º de janeiro de 1927, em Marselha, filho do filósofo Gaston Berger, Maurice Béjart iniciou-se na dança estudando com Madame Egorova, Madame Rousanne e Leo Staats. A coreografia estava no sangue: aos 20 anos compôs ‘‘Vichy’’, seu primeiro número.
‘‘O Pássaro de Fogo’’ surgiu sob a influência do expressionismo, mas o reconhecimento da crítica ao seu talento viria mais tarde, com as obras de Chopin. Aí então o bailarino já estaria morando em Paris.
Encanto e estranhamento experimentados pela platéia seriam registrados ainda na década de 50, pela linguagem avançada e muito própria do seu criador. Porém foi com ‘‘A Danação de Fausto’’, de 1964, levado na Ópera de Paris, que os franceses realmente se escandalizaram pela ousada abordagem do tema.
Embora o nome Béjart esteja associado à dança, o artista também é escritor, diretor de teatro, ópera e cinema. Tem recebido diversas condecorações e prêmios ao longo de sua carreira, como o Prêmio Imperial, em 1993, da Associação de Arte do Japão que destaca, a cada ano, cinco artistas de todo o mundo.
q Béjart Ballet Lausanne - companhia de Maurice Béjart. Única apresentação hoje, às 21 horas, no Guairão. Ingressos: R$ 70,00 (platéia), R$ 60,00 (primeiro balcão) e R$ 40,00 (segundo balcão).

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