A fina flor do sax
O compositor e saxofonista
Leo Gandelman faz o
lançamento mundial de
seu disco ‘‘Brazilian
DivulgaçãoLeo Gandelman: sonoridade sofisticada, criativa e , sobretudo, prazerosaSoul’’ no Brasil
Antônio Mariano Júnior
Um único pedido: que o lançamento acontecesse primeiramente no Brasil. E assim se fez. Está chegando às lojas ‘‘Brazilian Soul’’, sétimo disco solo do compositor, arranjador e saxofonista brasileiro Leo Gandelman. Biscoito fino. Feito para paladares exigentes. O disco vai correr o mundo. É que ‘‘Brazilian Soul’’ será lançado mundialmente a partir de fevereiro já que Gandelman faz parte do elenco da Verve, selo americano de jazz cuja distribuição dos trabalhos planeta afora é feita pela Polygram.
Ao todo, 12 faixas. Longas faixas, diga-se de passagem. Exatos 57 minutos e 42 segundos compõem ‘‘Brazilian Soul’’. Não se preocupem porque esse tempo é simplesmente esquecido em função da sonoridade sofisticada, rica, criativa e sobretudo prazerosa que Gandelman e cia conseguiram imprimir ao trabalho. Levadas eletrônicas há. Que a grosso modo podem dar um quê de pop a um disco que na verdade pende para o free jazz, para o jazz contemporâneo.
O mais interessante é que Gandelman conseguiu imprimir mais uma vez dignidade ao seu instrumento de trabalho - seja o sax alto, tenor ou soprano - ao buscar uma sonoridade que agrada gregos e troianos. Ou seja, ‘‘Brazilian Soul’’ é um bom exemplo de que é perfeitamente possível fundir o comercial, o convencional sem se esquecer de ser sofisticado. A começar pela primeira faixa, ‘‘A R㒒 (João Donato-Caetano Veloso) em que o saxofone de Gandelman passeia pela intrincada melodia de maneira direta porém hábil.
Já que é para mostrar virtuosismo - e não confundir com malabarismos harmônicos recheados de clichês, um fato comum em se tratando de alguns saxofonistas - bom mesmo é ouvi-lo em ‘‘Maracatu Atômico’’ (Nelson Jacobina-Jorge Mautner’’. Ou mesmo ‘‘April Child’’ (Moacyr Santos-Raymond Evans-Jay Livingston), que sugere nas batidas iniciais algo dance, em que ele duela com o filho, Miguel Gandelman, no sax barítono.
O lirismo fica por conta da regravação de ‘‘Palhaço’’(Egberto Gismonti), na base do sax e piano (tocado pelo próprio Gismonti). Porém, contudo, todavia, entretanto a faixa ‘‘Brazilian Waters’’ (Willian Magalhães) é o que de melhor se pode encontrar no disco. Com uma linha melódica inteligentíssima e um entrosamento perfeito entre o tecnológico e o acústico, a canção é uma extraordinária viagem com turbulências jazzísticas. Na dúvida é melhor ‘‘Brazilian Soul’’ de cabo a rabo. E resista a repetir a dose se for capaz.

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