A 'fera' no cinema
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segunda-feira, 07 de maio de 2018
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 

Um homem que vive na esperança de presenciar em algum momento um acontecimento extraordinário. Este é o resumo de "A Fera na Selva", novela do escritor norte-americano Henry James, que ganhou versão cinematográfica no Brasil sob direção dos atores Paulo Betti e Eliane Giardini e do diretor de fotografia, roteirista, produtor e fotógrafo Lauro Escorel. Rodado no ano passado na cidade de Sorocaba (SP), o filme foi apresentado neste domingo (6), na 1ª Mostra o Amor, a Morte e as Paixões, da rede de cinemas Lumière, no Shopping Royal.
Betti veio a Londrina, onde conversou com o público após a exibição do longa. Antes, atendeu a imprensa e disse que a adaptação tem características teatrais e uma "estética não muito parecida com a dos filmes em geral". Há 24 anos, ele e Eliane, com quem estava casado à época, apresentaram uma versão teatral de "A Fera na Selva." "A história tem uma ideia que acho fascinante. É muito intensa. Tem uma coisa arquetípica. Todo ser humano tem algo como isso: uma sensação de que algo muito importante vai acontecer", afirmou ao ser questionado sobre o porquê de rever a história no cinema.
LANÇAMENTO - O ator disse estar fazendo um lançamento "artesanal" do longa, que ainda não entrou em circuito comercial. Ele viaja para participar das exibições, debate a obra, anota e-mails das pessoas que a assistiram e manda o livro em versão PDF. Ainda promete criar um site com o making-off e com as cenas que foram descartadas na edição.
Betti contou que foi "extremamente fiel ao livro". "Não por falta de audácia, mas por reverência", alega. A narração, de José Mayer, ajuda a manter essa fidelidade.
O ator/diretor escolheu Sorocaba como local de gravação por ser sua cidade natal. "É minha aldeia, meu retrato na parede, meu pai..." Foram oito semanas de gravação, mas ele iniciou um "mergulho" em Sorocaba meses antes. "Deixei a barba crescer, botei um chapéu, saia abraçando todo mundo na rua. Foi emocionante." Outro filme dirigido por Betti, "Cafundó", era para ter sido gravado na cidade paulista. Não deu certo e o ator ficou com esse desejo congelado.
Sobre a direção, dividia por três pessoas, duas delas atuando também como atores, Betti garantiu que foi um trabalho harmônico. "Tive a esperteza de não contar a eles que também ganhariam os créditos de diretores." Com Lauro, Betti dividiu todo o planejamento do filme. "A Eliane era a dona da história, tem uma compreensão fantástica da história. Não tem como dizer para ela fazer assim ou assado. Ela sabe o que quer. Nós temos um entendimento muito grande, já fizemos 15 peças juntos", ressaltou.
POLÍTICA - A FOLHA quis discutir um pouco de política com o ator, já que ele participou ativamente de várias campanhas do ex-presidente Lula e do PT. Betti brincou que não falava mais a respeito, mas foi logo entrando no assunto. "Estou observando. Não sei qual a contribuição que tenho para dar agora", disse. Questionado se se sentiu desgastado pelas críticas que recebeu quando defendeu o ex-presidente durante o Mensalão, Betti negou. "Fiz tudo que achava que deveria ter feito. Posso ter me equivocado, mas fiz de boa vontade, nunca cobrei para fazer campanha."
O ator é otimista com o futuro do País e vê alternativas para as próximas eleições como Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (Psol) e Manuela Dávila (PcdoB). Disse também que precisa pensar melhor sobre Marina Silva (Rede) e Joaquim Barbosa (PSB). Betti contou que foi colega do ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) em 1993 no programa Fulbright, que oferece bolsas de estudos nos Estados Unidos. "Joaquim tem de ser ouvido. Ele tem alguma coisa dizer. Tenho consideração por ele."


