VALLETTA - Um curioso e um tanto abstrato estudo, divulgado em fevereiro pela Universidade Erasmus, da Holanda, apontou os moradores da Ilha de Malta entre os três povos mais felizes do mundo a pesquisa, diga-se, foi feita em 112 países. A brasileiros, acostumados com a máxima de que a felicidade mora em areias cariocas (ou, pelo menos, nos mais de 8 mil quilômetros de litoral), pode parecer pouco provável que alguém sinta-se satisfeito em viver num lugar de apenas 35 quilômetros de comprimento e outros 22 de largura. Mas o país-arquipélago, formado também pelas ilhas de Gozo e Comino, é um fenômeno. Altamente recomendável para desfazer mitos.
E é provavelmente em busca de felicidade e outras coisinhas mais, claro que estão os 1 milhão de turistas que procuram seus cenários exóticos, entre o deserto e o oásis, todos os anos. Isso representa pouco mais de 20% dos visitantes internacionais que procuram o Brasil e seus mais de 8 milhões de quilômetros quadrados anualmente para passar as férias. Não é pouco.
Localizado entre a Sicília, na Itália, e a Tunísia, na África, o pequeno país alterna penhascos e paisagem rural, salpicados pelas águas do Mediterrâneo e por torres de igrejas. É daqueles destinos que compõem belos álbuns de fotografia. E sempre resulta em boas histórias para contar. História, aliás, é o que não falta nessa porção de terra já dominada por fenícios, cartagineses, romanos, árabes, espanhóis, franceses e ingleses estes ficaram até 1964, daí algumas influências, como a mão de direção.
Na Idade Média, Malta foi peça-chave da Igreja Católica durante as Cruzadas, fato que explica suas 365 igrejas uma para cada dia do ano e uma população de maioria católica, aproximadamente 90% dos moradores. Explica, também, o conservadorismo local somente em 2001, por exemplo, a revista ''Playboy'' chegou às bancas. Mas não se preocupe. As belíssimas praias, como a Golden Bay, estão liberadas até para os minúsculos biquínis brasileiros, sem problemas.
Antes de se jogar nas águas do Mediterrâneo, porém, vale a pena passar por pelo menos uma igreja, a Catedral de Saint John, de influência barroca. Lá está exposto um dos mais impressionantes trabalhos do pintor Caravaggio, a ''Decapitação de João Batista''.
No coração da ilha está a antiga capital de Malta, Mdina, e seu subúrbio, Rabat, passeio imperdível. A região, aliás, pode reivindicar a origem do cristianismo maltês, pois teria sido ali, no ano 60, que o apóstolo São Paulo peregrinou depois que o navio em que estava, como prisioneiro, naufragou na costa de Malta.
Conhecida como a Cidade do Silêncio, pois lá é permitida somente a entrada de carros dos moradores, Mdina teve nomes diferentes ao longo de seus 4 mil anos de história, dependendo da ocupação. Foi Melita para os romanos; Medina para os Árabes e Citta Vecchia (ou cidade velha), quando Valletta tornou-se a capital. Alguns moradores, no entanto, gostam de chamá-la Cidade Nobre, pois, até hoje, descendentes de nobres normandos, italianos e espanhóis, cerca de 400 pessoas, vivem por lá.
Passado o momento história e devoção, qualquer guia vai te levar para conhecer a Vila do Popeye, programa engraçadinho, mas que não merece mais do que 30 minutos de atenção. Parecido com um parque temático do marujo mais forte do mundo, o lugar é, na verdade, o cenário construído para o filme ''Popeye'' (1980), dirigido por Robert Altman. Mobiliadas, as casinhas também podem ser visitadas.
Mas o esforço não vale a pena. Prefira conhecer a vila a partir de um mirante das redondezas assim, enquanto todos olham o colorido vilarejo, você aproveita para fazer fantásticas fotos do contraste entre a areia de Malta e o azul profundo do Mediterrâneo.
O cenário único de Malta serviu também para locações de filmes como ''O Expresso da Meia Noite'' (1978), ''O Gladiador'' (2000) e ''Tróia'' (2004) imaginem, meninas, encontrar Brad Pitt numa das praias da ilha, com aquelas paisagens todas ao redor? Sim, isso foi possível durante as filmagens de ''Tróia''... Ah, para constar, os brasileiros ficaram só na 24 posição no ranking da felicidade.

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