O turismo religioso é o principal atrativo da pequena Nova Trento. Por mês, cerca de 15 mil pessoas visitam a cidade em peregrinação aos Santuários de Madre Paulina e de Nossa Senhora do Bom Socorro. De acordo com avaliação da Embratur, é o segundo destino turístico-religioso do País, só perde para a cidade de Aparecida do Norte (a 163 quilômetros de São Paulo). E o fluxo de turistas é crescente.
O ano de 1877 marcou a chegada dos primeiros imigrantes italianos, provenientes da região de Trento, no Norte da Itália. Eles batizaram a terra escolhida para morar de Nova Trento como forma de homenagear a pátria distante. Localizada no Vale do Rio Tijucas, a 75 quilômetros de Florianópolis, a localidade ainda preserva com carinho a história de seus antepassados. Característica facilmente observada na gastronomia típica, nos costumes regionais e na fé cristã.
Com pouco mais de 20 mil habitantes, o município viu emergir o turismo após a beatificação de Madre Paulina, em 1991, pelo Papa João Paulo II. ‘‘Esperamos que a canonização da madre aconteça no ano que vem’’, observa Irmã Lígia, da Basílica de Madre Paulina. ‘‘O processo já está bem adiantado.’’
Todos os anos, em 18 de outubro, os fiéis unem-se para comemorar a beatificação de Madre Paulina. ‘‘Já estamos com quase tudo pronto; recebemos fiéis de vários Estados.’’ E é justamente em torno da vida da religiosa que estabeleceu-se uma rota de peregrinação, com início no bairro de Vígolo (a cinco quilômetros da região central). Foi nesta localidade que a madre começou a desenvolver seu trabalho de caridade, atendendo à pessoas enfermas e crianças carentes. Foi ela quem fundou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, hoje presente em 11 países das Américas do Sul e Central, África e Europa.
Madre Paulina nasceu em 16 de dezembro de 1865, em Vígolo Vattaro, em Trento (Itália). Seu nome de batismo era Amábile Lúcia Visintainer. Com apenas dez anos de idade, mudou-se com a família para o Brasil, mais precisamente para o bairro de Vígolo, em Nova Trento, onde seu pai recebeu terras para começar vida nova.
Em 1890, ela decidiu abandonar a vida no lar para dedicar-se completamente ao chamado de Deus. Junto com a amiga Virgínia Nicolodi, passou a cuidar uma senhora doente de câncer. Uma réplica da casa onde as três moraram pode ser vista no centro de Vígolo. Cinco anos depois, após fazer os votos de pobreza, castidade e obediência, a religiosa fundou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Foi nesta ocasião em que recebeu o nome de Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus.
O prédio no qual funcionava a congregação, e onde a madre morou, foi transformado em museu. Em seu interior, estão guardados objetos pessoais da religiosa, bem como a cama na qual morreu cega e com um braço amputado por causa de uma gangrena provocada pela diabete, em 1942, aos 77 anos. Durante a visita ao museu, é permitido aos turistas depositarem bilhetes com pedidos sobre o colchão de palha.
Outro destaque no prédio é o cenário construído pelo artesão Francisco Minatti. As dezenas de peças articuladas contam a vida e obra da beata. Existe um projeto para a construção de uma nova basílica, com capacidade para 6.500 pessoas, e a melhoria de toda a infra-estrutura local, como hotéis, campings, restaurantes, estacionamentos, parque temático religioso e trilhas. ‘‘Quem quiser ajudar na construção de nossa nova basílica, pode fazê-lo. Nós temos uma conta só para receber contribuições em nome do Santuário de Madre Paulina: Banco do Brasil; agência: 2356-6; conta corrente: 5680-4’’, ressalta a Irmã Lígia.
Ainda em Nova Trento, conheça o Santuário Nossa Senhora do Bom Socorro, em Morro da Cruz, a 525 metros de altitude. O templo, construído no início deste século, abriga a imagem da santa que veio da França – uma doação feita em 1906 pela condessa Clermont de Tonerre.
Além dos santuários, o município oferece aos visitantes muitas áreas verdes e bastante tranquilidade. Passeios ecológicos por trilhas e cachoeiras são algumas das atrações. ‘‘Aqui é realmente um lugar de muita paz’’, confirma Irmã Lígia. A população é bem cordial, o que faz com que os turistas se sintam em casa.
Outro programa apreciado na localidade são as vinícolas, que produzem anualmente 900 mil litros da bebida. Os restaurantes servem pratos caseiros deliciosos, como a polenta com frango, massas, queijos, salames.
Com um pouco mais de tempo, o roteiro pode ser estendido até o município vizinho de Brusque, no Vale de Azambuja, também conhecido como Vale dos Milagres. Aqui, o destaque é o Santuário de Nossa Senhora do Caravaggio. E no município de Angelina, a peregrinação pode continuar no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes. Uma coisa bem diferente é participar das cavalgadas, organizadas por algumas agências, que passam por todos estes santuários. A paisagem é muito bonita e só por isso já valeria a pena.

mockup