A fé move o turismo
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de março de 1998
José Eduardo Barella Agência Estado 
Arquivo FolhaMuralhas da cidade de Jerusalém: cenários da Bíblia ao alcance da mãoA terra é sagrada para as três grandes religiões monoteístas do mundo e mantém as marcas de mais de quatro mil anos de civilização espalhadas numa área que caberia dentro de Sergipe. Israel, porém, é muito mais que um país voltado para a história dos conquistadores que por ali passaram e deixaram sua herança cultural e religiosa. Do milagre agrícola do Vale do Jordão aos spas junto às águas sulfurosas do Mar Morto, o país surpreende também por suas belezas naturais, pelas opções de lazer nas praias e no deserto, pela organização social em apenas meio século de existência do Estado judeu e pela diversidade étnica, cerca de 100 grupos numa população que mal chega a 6 milhões de habitantes.
A maior parte dos 2,5 milhões de turistas que visitam Israel anualmente, porém, não parece interessada em saber que nos últimos 50 anos as fronteiras do país foram redesenhadas cinco vezes por conta das três guerras que colocaram judeus, de um lado, e os vizinhos árabes de outro. Nem que o país está situado na mais explosiva região do mundo e até hoje alvo de disputas sangrentas, apesar do frágil acordo de paz entre israelenses e palestinos, assinado em 1993. O que importa para a maioria dos peregrinos é conhecer, reverenciar e se emocionar com os locais sagrados onde Moisés, Jesus e Maomé fizeram história. Boa parte dos cenários descritos na Bíblia está sempre à vista e, na maioria das vezes, ao alcance das mãos. Conhecer os locais santos e descobrir sua importância é como montar um quebra-cabeça da história da civilização ocidental.
O turismo religioso é, de longe, o principal atrativo de Israel. Começa em Jerusalém, epicentro da fé, uma cidade de 3 mil anos encravada entre 12 colinas e que arrepia o mais ateu de seus visitantes com suas construções em pedra calcário e a agitação do mercado árabe, o melhor lugar para fazer compras e pechinchar. Se estende pela vizinha Belém, onde Cristo nasceu e considerada sagrada também pelos judeus por guardar o túmulo de Raquel, mãe de José. Prossegue em Jericó, onde Cristo sofreu as tentações do diabo, e desce ao sul para Massada, símbolo da resistência do povo judeu à beira do Mar Morto.
Fazendo o caminho de volta, em direção ao norte, na região da Galiléia, é possível percorrer todos os locais onde Jesus pregou e realizou milagres de Nazaré até as cidades situadas às margens do Mar da Galiléia, como o balneário de Tiberíades, Cafarnaum e Tabgha.
Boa parte dos santuários sagrados para o judaísmo, cristianismo e islamismo está situada em locais belíssimos, o que torna a peregrinação um colírio para os olhos. É assim no imponente Domo da Rocha, em Jerusalém, uma jóia arquitetônica islâmica no coração da Cidade Velha, ou na Fortaleza de Massada. O Monte das Beatitudes, por exemplo, onde Jesus fez o Sermão da Montanha, ainda preserva a placidez e a vista deslumbrante do Mar da Galiléia e das Colinas de Golã.
Além da rota da peregrinação, que rasga o país de norte a sul, Israel tem atrações que podem ser conhecidas e saboreadas junto com as visitas aos locais sagrados. É que as distâncias são curtas para os padrões brasileiros. A Fortaleza de Massada, por exemplo, fica a pouco mais de 15 km de uma das praias mais concorridas do Mar Morto, centro do chamado turismo-saúde por causa de suas águas medicinais . Com alto grau de salinidade e único mar do mundo onde o corpo não afunda, o Mar Morto é um programa obrigatório para quem visita o país.
Na Galiléia, é possível conciliar as visitas aos locais onde Jesus pregou com uma estadia num kibutz ou um passeio pelo Vale do Rio Jordão. Na mesma região, Tiberíades recebe milhares de turistas israelenses durante o verão e vira um point para a prática de jet-ski e esportes aquáticos no Mar da Galiléia. Outro passeio interessante é pegar a estrada que sobe as Colinas de Golã território sírio anexado durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, ladeada de campos minados, de onde é possível ter uma vista panorâmica de todo o Vale do Jordão ou até mesmo esquiar no Monte Hermon. Também na Galiléia, existem trilhas para trekking e locais para andar de caiaque nas nascentes do Jordão.
Ainda pela rota religiosa, abre-se uma porta para conhecer outros atrativos imperdíveis. As escavações arqueológicas, algo que os brasileiros não estão acostumados, são inúmeras em todo o país. Outra opção é percorrer as cidades históricas da costa norte do Mediterrâneo, como Acre, Haifa e Cesaréa. Todos esses locais podem ser visitados em até dois dias e ficam perto de Tel-Aviv, a capital financeira do país e a mais européia das cidades de Israel, com uma vida noturna agitada.
A viagem de José Eduardo Barella foi oferecida pela Queensberry e Swissair


