'A Favorita' termina com falhas no roteiro
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Alberto Pereira Jr.<br> Folhapress 
Onde foram parar os US$ 22 milhões que Donatela (Claudia Raia) deixou de herança a Lara (Mariana Ximenes)? Por que Cassiano (Thiago Rodrigues) cogitou ser pai do filho de Céu (Deborah Secco), se nunca foi dito que eles transaram? Como Donatela, que foi uma famosa cantora e socialite, anda pelas ruas sem disfarce e ninguém a reconhece? Se a ex-dondoca era amiga de Cilene (Elizângela) e frequentava a casa dela, como é possível que Halley (Cauã Reymond) nunca a tenha visto?
Mesmo conquistando o telespectador com uma trama cheia de ação e de suspense, que apostou em uma heroína ambígua e em uma vilã sem limites para a maldade, a novela ''A Favorita'' deixou uma série de histórias que não foram explicadas. A reportagem ouviu três especialistas em teledramaturgia que comentaram os ''buracos'' no roteiro do folhetim de João Emanuel Carneiro. Eles foram unânimes: o maior ''furo'' foi o desaparecimento da fortuna de Lara, mas a reportagem traz outros.
''Eu fiquei pensando no fim que levou a herança que ela recebeu de Donatela'', fala Claudino Mayer, estudioso em telenovelas, referindo-se à quantia guardada em uma conta no exterior que a estudante de geologia ganhou da mãe adotiva, depois de receber a notícia de que Donatela havia morrido em um incêndio na cadeia.
Para Marcos Petrucelli, crítico de cinema e comentarista de TV, foi um deslize de Carneiro esquecer essa fortuna. ''Esse valor poderia minimizar os efeitos da falência da fábrica. Pelo menos, teria impedido a venda do rancho da família a Flora, já que a vilã o comprou por R$ 30 milhões'', lembra.
Nilson Xavier, autor do ''Almanaque da Teledramaturgia Brasileira'', concorda: ''O telespectador que acompanha diariamente a novela deve ter percebido esse lapso''. Sobre a paternidade do filho de Céu, que a ex-retirante cogitou ser de Cassiano - nunca foi mencionado que eles transaram -, Petrucelli tem uma teoria. ''Ela e Cassiano foram interrompidos, mas dramaturgia não é sempre tão verossímil'', diverte-se. Intérprete do corrupto Romildo Rosa, Milton Gonçalves comenta o fato de seu personagem, um deputado federal, nunca ter pisado nem citado uma viagem a Brasília. ''O Romildo nunca foi para a capital, mas eu, Milton, já estive diversas vezes lá'', brinca.
Independentemente das tramas sem explicação, os três estudiosos reconhecem os méritos do autor João Emanuel Carneiro. ''A novela fugiu do tradicional. Depois de um início amargo (marcou 35 pontos na estreia), conseguiu conquistar o público (na última segunda-feira, registrou média de 49 pontos)'', diz Xavier. ''''A Favorita' trouxe uma nova linguagem à teledramaturgia'', elogia Mayer.


