A Favorita não tem mocinha nem vilã
PUBLICAÇÃO
sábado, 31 de maio de 2008
Gabriela Germano<br>TV Press 
A Globo quebra amanhã um jejum de oito anos com a estréia de A Favorita. Sem investir em um novo autor no horário das oito desde 1990, quando Silvio de Abreu escreveu Rainha da Sucata, a emissora aposta em João Emanuel Carneiro em sua faixa nobre. Ele apresenta uma história sem vilã ou mocinha explícitas. As atrizes Cláudia Raia e Patrícia Pillar são candidatas a esses títulos na pele de Donatela e Flora, respectivamente. Grandes amigas desde a infância e companheiras em uma antiga dupla sertaneja, as duas vêem a amizade ser abalada por um crime e uma traição. A resposta do público e a atuação das atrizes vão me ajudar a definir o caminho que a trama vai tomar, avisa João Emanuel, autor que chamou a atenção no horário das sete ao conquistar a boa média de 38 pontos de audiência com Cobras & Lagartos, em 2006.
Depois de um tempo de razoável sucesso como a dupla sertaneja Faísca e Espoleta, Flora, de Patrícia Pillar, casou-se com Dodi, personagem de Murilo Benício. Donatela, interpretada por Cláudia Raia, se uniu a Marcelo, um milionário. O casamento de Flora e Dodi durou pouco e a moça acabou tendo um caso com o marido da amiga. Dessa aventura nasceu Lara, de Mariana Ximenes, e tempos depois Marcelo foi assassinado. Flora foi condenada pelo crime e ficou 18 anos na prisão. A moça, no entanto, jura ser inocente e acusa Donatela pelo ocorrido. Apesar dos rumos da história serem indefinidos, Patrícia Pillar já tem opinião formada sobre o encadeamento do folhetim. Acredito na inocência de minha personagem e compro essa briga torce a atriz, referindo-se a Flora. Cláudia Raia, por sua vez, fica em cima do muro, apesar de já prever a torcida dos telespectadores. Não dá para saber quem é a vilã. Mas minha personagem sai perdendo porque é rica e o público não escolhe os bem-sucedidos, teoriza.
A vida amorosa das duas protagonistas de A Favorita volta a se cruzar pouco tempo depois que Flora sai da cadeia. O jornalista Zé Bob, de Carmo Dalla Vecchia, fica encantado ao conhecer a ex-presidiária Flora e vive uma relação de muito carinho e cuidado com ela. Donatela, por sua vez, tem muita raiva desse jornalista de esquerda que a enxerga como uma perua. Mas em determinado momento, os dois vivem uma relação que chega a pegar fogo de tanto que esquenta, adianta Carmo.
A Globo investiu pesado. O custo por capítulo do folhetim é de R$ 270 mil reais, o que quer dizer que a empreitada total deve sair por aproximadamente R$ 50 milhões de reais. A Favorita se passa em São Paulo e na fictícia Triunfo. Para reproduzir esses ambientes, a equipe comandada pelo cenógrafo Mario Monteiro construiu um espaço de 10 mil metros quadrados no Projac, complexo de estúdios da Globo no Rio. O maior núcleo é o da vila operária, composto de 28 casas além de estabelecimentos comerciais. Há também um sítio, onde vive o ufólogo Augusto César, de José Mayer, que é o xodó da equipe. Nesse espaço há uma casa toda envidraçada com oito metros de altura e 12 metros de diâmetro. É o cenário que todos curtiram fazer. Foi uma forma que encontramos de colocar um personagem naturalista em constante contato com a natureza, explica Mario Monteiro.
O folhetim conta também com um espaço que reproduz a redação de um jornal e foi detalhadamente idealizado pela produtora de arte Angela Melman. É ali que os personagens jornalistas de Juliana Paes e Carmo Dalla Vecchia vão atuar. O ator dá vida a um profissional idealista chamado Zé Bob, que em determinado momento da história, forma um triângulo amoroso com as protagonistas Flora e Donatela. Meu personagem é mulherengo, mas não é canalha. Tanto é que se vê apaixonado de verdade, defende Carmo.
O diretor Ricardo Waddington apoia-se no improvável para manter o suspense em relação à culpada pelo crime da história até o momento certo. Acho que deve existir uma imparcialidade na direção, sem torcida para nenhuma das duas personagens, almeja ele.


