A FAP pede socorro
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sexta-feira, 20 de março de 1998
Elisa Marilia Carneiro Curitiba 
Aproveitando a presença de autoridades anteontem à noite durante a abertura do Festival de Teatro de Curitiba, estudantes da Faculdade de Artes do Paraná realizaram um protesto em frente à Ópera de Arame. O objetivo da manifestação era denunciar a situação precária das atuais instalações da faculdade.
Dezenas de alunos de todos os cursos da FAP montaram um espetáculo plástico à parte com velas acesas e faixas com os dizeres A FAP de hoje é o festival de amanhã. Nós, os sem-teto, sem-professores e sem-equipamentos exigimos uma atitude. Não é uma ironia?- questiona a estudante de Artes Cênicas Sônia Moreno. Ela argumenta que a capital da arte tem uma escola caindo.
Durante todo o período do festival, os estudantes prometem chamar a atenção para a precariedade das instalações. Onde houver espetáculo estaremos lá. Para a aluna do primeiro ano de Artes Cênicas Ana Paula, ninguém tem nada contra o festival. Só queremos condições para estudar. Quando souberam que faríamos os protestos, mandaram arquitetos, prometeram concurso para professores. Mas, e quando terminar o festival?- indaga ela.
O problema da FAP se estende há 40 anos. Desde que foi criada, a faculdade já ocupou vários prédios, todos emprestados. Apenas em julho do ano passado começou a ocupar uma sede própria, mas com instalações pela metade. Agora, oito salas de aula estão interditadas devido a queda de parte do forro.
O projeto inicial previa dois blocos. Apenas o primeiro foi concluído e parte deste está inviabilizado, conta o estudante de musicoterapia Márcio Roberto da Silva. Os estudantes de Artes Cênicas e de Dança continuam ocupando o barracão do curso de dança da Fundação Teatro Guaíra, no Tarumã.
Márcio lembra também que o repasse de recursos financeiros não cobre os gastos mais elementares da faculdade como material de limpeza, papel higiênico e corda para os instrumentos. Alguns cursos estão ainda sem professores e podem ter as férias comprometidas- alerta. A FAP oferece curso de Artes Cênicas, Dança, Música, Artes Plásticas e de Musicoterapia. Abriga mil alunos em três turnos de aulas.
De acordo com o diretor da instituição, Lydio Roberto Silva, o prédio foi entregue em boas condições, mas por causa das chuvas e das árvores ao redor, as calhas entupiram, houve infiltração e o forro das salas desabou. As aulas práticas dos alunos de Artes Plásticas ficaram inviabilizadas- reconhece. Ele garante que a Secretaria da Ciência e Tecnologia já providenciou uma empresa para fazer a troca do forro. Mas a obra do segundo prédio ainda não tem data para iniciar.
Além do problema de espaço, os alunos reclamam da falta de integração entre os cursos uma vez que parte dos alunos fica separada. Os alunos de Artes Cênicas, por exemplo, quando fazem montagens precisam do pessoal de artes plástica e de música. O trabalho final fica prejudicado com o distanciamento e sem troca de experiências e de conhecimento- reconhece o diretor.


