Nunca, em outra época da história, a família passou por tantas e tão rápidas mudanças. E nunca os papéis dentro de casa estiveram tão confusos como neste final de século. Com o objetivo de apontar alguns caminhos possíveis para o encontro familiar e atender à demanda de profissionais e alunos das áreas de ciências humanas, a assistente social e professora da Universidade Estadual de Londrina, Ana Carolina Santini de Abreo, vai lançar no próxima sexta-feira, às 20 horas, no Espaço Cultural Catuaí, o livro ‘‘A Família em Debate - Uma Intervenção Familiar Sistêmica’’.
Depois de fazer especialização em Família no Uruguai, mestrado na área de Sociologia e doutorado em Ciências da Comunicação na Universidade de São Paulo (USP), além de estágios e cursos na Suécia e Canadá (onde os problemas relacionados ao assunto são maiores e mais antigos que os nossos), Ana Carolina resolveu publicar este trabalho de releitura da Terapia Familiar Sistêmica, que nasceu nos Estados Unidos nos anos 50 e, segundo ela, é o enfoque que mais tem dado resultado em diversos países.
A especialista observa que a família tem sido um dos temas mais debatidos na atualidade. ‘‘O assunto tem despertado o interesse até dos economistas de Wall Street, que acham que a dissolução da família nuclear e o alto índice de divórcios estão influindo na queda da renda das famílias norte-americanas’’, afirma.
Grande parte da confusão de papéis existente hoje entre pais e filhos nasceu nos anos 60, quando pregou-se a idéia de que a família era sempre opressora e que os pais tinham que ser, antes de mais nada, ‘‘amigos’’ dos filhos. ‘‘Só que amigo pressupõe-se alguém que não coloca limites, que aceita tudo. Surgiu então esta família emaranhada, onde há até casos de filhos batendo em pais’’, diz a professora.
Ela esclarece que, sem limites, a criança e o adolescente ficam inseguros e mais vulneráveis às gangues e a outros tipos de grupo, que funcionam como apoio. Isso, unido à falta de diálogo e de encontro em família, às dificuldades econômicas e ao medo de perder o emprego, tem prejudicado o convívio das pessoas que moram sob o mesmo teto. ‘‘A família é uma caixa de ressonância de tudo o que acontece na sociedade’’, define Ana Carolina.
De acordo com a especialista, a classe mais vulnerável aos conflitos é a de menor poder aquisitivo, onde o índice de famílias chefiadas por mulheres é maior. A saída maciça do meio rural para o ambiente urbano é outro fator causador de problemas, já que, em um meio estranho, os pais acabam perdendo a autoridade e o respeito dos filhos, que se adaptam muito melhor à nova situação. Nestas famílias, a profissão do pai normalmente é pouco ou nada valorizada pelos filhos.
Com base nestas informações - muitas delas colhidas em atividades realizadas junto ao Fórum de Paranavaí (Noroeste do Estado) e em projeto de extensão da Universidade - e no estudo de várias correntes da terapia familiar, Ana Carolina Santini elaborou a proposta apresentada em ‘‘A Família em Debate’’, que ela está lançando pela Editora da UEL. ‘‘Procurei fazer um trabalho que fosse eficaz dentro da nossa realidade e o mais acessível possível’’, diz a professora.
A proposta, afirma, é colaborar para o resgate dos valores perdidos e das funções dentro da estrutura familiar. ‘‘Pesquisas recentes mostram que cada vez mais a figura de destaque na família é a mãe, que além de trabalhar fora e colaborar com as despesas domésticas, assume as responsabilidades com a educação dos filhos. Este é um sinal de que algo está errado.’’ Além de relatar o caso real de uma família que conseguiu enfrentar e administrar seus problemas, o livro traz estratégias - às vezes bastante simples - que visam a mudança das relações familiares.

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