A face alegre do Brasil
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de março de 2001
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Em plena Quaresma há resquícios do carnaval carioca nas fotos de Pablito Pereira, em exposição no Pollo Shopping Estação (ex-Estação Plaza Show), em Curitiba. Elas podem ser vistas até domingo. Sob o título A Cor do Brasil, o fotógrafo colocou ali 16 flagrantes colhidos na Marquês de Sapucaí, em 1998, numa aventura que beirava o imponderável Pablito tinha unicamente uma câmara sem fotômetro, sem flash e com uma lente normal.
Teimosia e determinação moveram o fotógrafo. O que poderia fazer a essas alturas? Me escondi no meio das pessoas e quando a percepção era acionada, seja pela cor, pela pessoa, pela sua beleza eu clicava, explica o fotógrafo. Ele estava na prática vivendo a tese que costuma defender: para mostrar uma imagem, o ideal é vivenciá-la.
O delírio da festa na avenida foi sentido na pele; as fotos traduzem esse momento de magia tanto nas evidências dos olhares e sorrisos, como na emoção contraditória da baiana, que numa espécie de recolhimento, entrega-se culto dos sons e movimentos. O carnaval, percebe-se nas imagens, é o encontro dos contrastes: assim como há corpos nus, há também aqueles totalmente vestidos, com figurinos de época.
A explosão das cores é uma armadilha, e Pablito fugiu a esse canto de sereia. De formação fotojornalística, é adepto dos registros em preto e branco. Eu me preocupei com a entrada da cor e da não-cor, tenta explicar. Ou seja, nada ali deveria ser gratuito, mas que tivesse valor jornalístico. Esta não é exposição publicitária, frisa.
Os anos de experiência acumulados em trabalhos com movimentos, como balé, futebol, teatro permitiu que eu tivesse esse clic no momento da máxima expressividade das pessoas. Aqui tem 16 fotografias que sintetizam toda a escola, continua Pablito.
No conjunto das imagens o espectador tem uma fatia do Brasil que dá certo, que o mundo todo aplaude e admira. É o povo contando a sua história, sem os entraves do atraso, do mau uso do dinheiro público. Você tem aqui o ápice de um povo vivendo um momento digno, mesmo que passageiro.


