A exuberância fotográfica é destaque em "Anna e o Rei", que estréia amanhã
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2000
Por Elaine Guerini 
São Paulo, 13 (AE) - A sequência em que Jodie Foster penetra nos domínios do palácio real do Sião, logo nos primeiros minutos de "Anna e o Rei", dá uma idéia da exuberância fotográfica que preencherá as próximas duas horas e meia de projeção. O cenário suntuoso, a caprichada reconstituição de época e as paisagens de tirar o fôlego têm efeito quase hipnótico sobre o espectador. Mas não convém esperar muito mais do que deleite visual.
Ainda que Jodie Foster e o asiático Chow Yun-Fat encarnem impecavelmente os personagens-título, faltou energia à produção que entra amanhã (14) em cartaz. A trajetória da professora inglesa viúva que desembarca no Sião (hoje Tailândia) para ensinar os filhos do rei no século 19 não pede mais que uma hora e meia de filme. Como o diretor Andy Tennant (de Para Sempre Cinderela) insistiu nos 60 minutos extras, o resultado é uma narrativa excessivamente lenta. Por vezes, monótona. Polêmica - A controvérsia que a produção provocou nos bastidores é mais instigante que o roteiro, baseado nas memórias de Ana Leonowens. A história, aliás, já rendeu dois filmes e um musical na Broadway. "Anna e o Rei" foi vetado na Tailândia, onde o título deveria ter sido rodado se o governo local não tivesse proibido as filmagens por discordar da abordagem.
O relacionamento entre a inglesa e o monarca sugere, além de superioridade da moça, que o rei foi influenciado por ela na tomada de decisões políticas. A situação é considerada pelos tailandeses, orgulhosos por não terem sido colonizados pelos europeus, um insulto e uma distorção da história.
Como toda obra de ficção, mesmo inspirada em fatos reais
"Anna e o Rei" inevitavelmente toma liberdades para garantir dramaticidade à história. O monarca Mongkut parece fazer vista grossa às insubordinações da britânica que, como ele mesmo diz, "acredita ser igual aos homens... e até ao rei" - atitude moderna demais para a época. Desde a sua chegada, a professora impõe suas vontades e toma partidos em situações que não lhe dizem respeito. Harém - Aos poucos, suas idéias vão ganhando a simpatia da grande família real - e põe grande nisso, já que a trupe soma 26 mulheres e 58 filhos. Enquanto Anna tenta abrir os olhos de seus pupilos ao mundo moderno, ela se deixa contaminar pelos encantos do oriente. E uma ligação afetiva, expressa basicamente por olhares, nasce entre a professora e o soberano, sempre dividido entre a importância da tradição e o desejo de progresso.
Como Jodie Foster, vencedora de dois Oscar, é sempre competente no que faz - desta vez seu cheque foi de US$ 15 milhões -, Chow Yun-Fat merece destaque. Mais conhecido pelos filmes de ação, o ator (de O Corruptor e Assassinos Substitutos) irradia confiança ao ter a chance de encarnar personagem com nuances dramáticas.
Um ator com menos carisma certamente passaria por mais um adereço do cenário majestoso desenvolvido na Malásia - aliás, o maior já construído desde "Cleópatra". Chow Yun-Fat, assim como a experiente Jodie Foster, conseguem se impôr sobre as locações exóticas. Pena que, quando não têm muito a dizer (por culpa exclusiva do roteiro), a atenção da platéia se volte à beleza das imagens. Ponto para a fotografia.


