A mulher mudou. Não é mais aquela pacífica dona de casa cuidando da cozinha e dos filhos. Não é mais aquela mulherzinha esperando o marido prover o lar. Não é mais aquela fêmea submissa aos pés do macho.
O homem também mudou. Para correr atrás da mulher, já não é o mesmo. O tosco troglodita peludo foi substituído por homens sensíveis, bem-vestidos, perfumados e depilados. Aqueles que ficaram pelo no meio do caminho, estão mais perdidos do que nunca.
Em seu novo livro, ''Chabadabadá - Aventuras e Desventuras do Macho Perdido e da Fêmea Que Se Acha'', o jornalista pernambucano Xico Sá realiza um retrato bem humorado desse novo homem. Aquele marmanjo contemporâneo que, mais perdido que cego em tiroteio, procura os elementos essenciais da macheza perdida.
Notório consultor sentimental, Xico Sá há anos vem se debruçando no assunto em crônicas publicadas em jornais e revistas do país. Seu livro de crônicas anterior, ''Modos de Macho & Modinhas de Fêmea'', publicado em 2004, encontra-se em sua terceira edição.
Em suas crônicas, Xico Sá procura desvendar o que se esconde atrás da figura feminina dos dias de hoje. Aquela mulher que acalentou durante décadas o desejo de viver ao lado de um homem sensível, não ao lado de brutamontes. A mesma mulher que atualmente considera os homens um bando de frouxos.
A seguir, Xico Sá fala de ''Chabadabadá'', lançado pela editora Record com antigas ilustrações de Benício, lendário desenhista responsável pela criação dos cartazes das pornochanchadas brasileiras das décadas de 60 e 70.
Chabadabadá pode ser considerado uma continuação de ''Modos de Macho & Modinhas de Fêmea''?
Sim, é uma espécie de ''Modos de Macho 2'', a missão testosterónica. A diferença é que o ''Chabadabadá'' pode ser lido como uma narrativa, as crônicas guardam uma certa sequência da nossa perdição, começando com os cavaleiros discutindo na taverna e fechando com um retorno simbólico para o colo das nossas mães.
Você defende a tese de que o macho tradicional está com os dias contados. E para piorar, mais perdido do que nunca. Qual seria o motivo dessa crise masculina?
O que chamo no livro de ''macho-jurubeba'', que é o ''macho roots'', o macho de raiz, está mesmo caminhando inapelavelmente para o fim. O motivo é simples: nos tornamos obsoletos, perdemos o monopólio do papel de provedor e não somos requisitados nem mesmo para a clássica troca de lâmpadas. E o Norman Mailer ainda dizia que os machões não dançam! Dançamos!
Num futuro próximo poderemos viver uma espécie de perfumada ditadura metrossexual?
É o miserável risco que corremos. A cosmética do homem avança com tudo sobre o gênero, mas eu estou fora desse movimento. Como diz o Marçal Aquino, em um bate-papo de escritores que registro no livro, se o macho está perdido, não sou eu que vou procurá-lo.
Em suas crônicas o homem aparece como um eterno perdedor na guerra dos sexos. Você acredita que os homens entram nessa guerra já sabendo que as mulheres serão as vitoriosas?
Ih, rapaz, quando a gente começa a perceber essa verdade histórica já estamos gagás. Precisamos de muitos chifres e pés no traseiro para entender a nossa missão de perdedores na face da terra. Perdemos porque relaxamos, nos sentimos os bambambãs, vivendo ainda a ilusão de que mandamos no jogo. Já era, amigo.
Em Chabadabadá as situações mais trágicas se transformam em situações cômicas. O bom humor seria a tábua de salvação para o homem perdido num mato sem cachorro?
Temos que rir da nossa tragicomédia, é isso que procuro fazer ao longo do livro. Repito um pouco daquilo que o cancioneiro mais cafona ou brega faz, que é relatar a dor de corno e depois rir do papel ridículo pelo qual a gente passa nessas horas dramáticas. E sempre com alguns mantras espalhados pelas crônicas. Neste caso de traições e porradas amorosas, receito o seguinte: se a vida dói, drinque caubói.
Você, com sua experiência no assunto, consegue responder a eterna e clássica pergunta: o que as mulheres realmente querem?
Vamos ao túmulo e não entendemos direito essas fabulosas crias das nossas costelas. No geral elas sempre querem o impossível. Mas se tem uma receita para satisfazê-las minimamente é sempre tentar adivinhar o que estão pensando e desejando, ai você corre na frente ou paralelo a essa vontade e, se puder, realiza. No dia-a-dia elas dão pistas sobre isso. Elas amam quando realizamos os seus desejos sem que seja necessário o pedido explícito delas ou uma briga, um barraco.
Serviço
- Chabadabadá - Aventuras e Desventuras do Macho Perdido e da Fêmea Que Se Acha
Autor - Xico Sá
Editora - Record
Ilustrações - Benicio
Quanto - R$ 37,90 (184 págs.)

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