A explosiva flor do forró
A explosiva
flor do forró
Elba Ramalho começa a divulgar seu novo disco em shows neste fim de semana
Isadora Andrade
Cult Press
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z NotíciasElba Ramalho: O segredo é estar em todos os lugares ao mesmo tempoCada vez que ia gravar um novo disco, a cantora Elba Ramalho sugeria à gravadora que seu próximo projeto fosse um álbum só de forró. Já tinha até título: Flor da Paraíba, apelido dado pelo cantor Caetano Veloso quando ouviu a voz de Elba pela primeira vez. Mas foi preciso que o forró - que segundo Elba é uma variedade de ritmos que vai do baião ao xaxado - invadisse as rádios do Sudeste para que Flor da Paraíba fosse lançado. É um oportunismo enorme. Mas isso é bom. O Brasil está se descobrindo, acredita Elba.
Com a autorização da gravadora para fazer o disco de forró, seu maior problema era o prazo de um mês para gravar. Passou também por outra provação: encontrar um sanfoneiro que conseguisse acertar o tom das músicas. Depois de tentar vários do Rio, optou por músicos nordestinos. Assim, foi até o Ceará e trouxe o conjunto Mastruz com Leite para fazer a base do disco. Impressionada com a performance do velho sanfoneiro cego do grupo, Elba conta que não precisou de tempo para ter afinidade musical com o conjunto. Eles sabem fazer, resume.
Elba garante que o fato de ter gravado às pressas - uma exigência da gravadora - não afetou a qualidade de Flor da Paraíba. Já tinha tudo na cabeça, diz a cantora. Como não podia deixar de ser, a maioria das composições são de nordestinos que vão dos mestres do forró como Dominguinhos e Luiz Gonzaga até Caetano Veloso, Lenine e Carlinhos Brown.
Segundo a cantora, a música que deu mais trabalho foi São Xangô Menino, de Carlinhos Brown. Um dia, o músico baiano apareceu na casa de Elba para mostrar uma canção. Brown se jogou no chão e começou a batucar no piso de madeira. O entusiasmo era tanto que ele não percebia que cada vez que repetia a música, mudava o ritmo. Elba tentou mas não conseguiu acompanhar. No dia de gravar, ligou para Brown e intimou o artista a decidir qual seria o ritmo da canção. O ritmista delirante, que acredita que os Beatles só aconteceram por causa de Luiz Gonzaga, acabou fazendo uma das músicas de destaque do disco.
A estréia de seu show está marcada para este final de semana na Paraíba. Mesmo com anos de experiência no palco, jura que fica nervosa em todos os shows, principalmente se for no Sudeste, onde se concentram os colegas da classe artística. Quero mais é que a perna fique bamba, diz Elba.
Em dois anos, Elba gravou quatro discos. Mesmo com tantos CDs no mercado, ela não teme um desgaste da imagem. O segredo é estar em todos os lugares ao mesmo tempo, diz, referindo-se também às participações que fez em Mandacaru, Sai de Baixo e em programas de auditório. A cantora ainda arranja tempo para administrar uma griffe em Blumenau e abrir um restaurante tailandês no Rio de Janeiro.
Desde que começou como baterista de uma banda de rock em João Pessoa, Elba já acumula 19 anos de carreira. Para ela, de lá para cá sua voz só fez melhorar. A Elba ansiosa para gravar deu lugar a uma cantora madura e com a voz mais lapidada. Mas ainda assim, acho que meu primeiro disco é superior a muita coisa que já fiz, opina.
Hoje, a cantora dedica parte do seu tempo às aulas de ioga e à meditação. Mas, aos poucos, vai se revelando a verdadeira Elba: expansiva, bem-humorada e sem papas na língua. Diz que não teme que seu disco seja engolido pela atual tendência do pagode e aproveita para elogiar o ritmo. Conta que anos atrás, quando virava noites em festas, volta e meia o porteiro anunciava a chegada de Zeca Pagodinho e sua turma. Só iam embora no dia seguinte, lembra Elba.





