A excêntrica Angeline Jolie disputa prêmio de melhor atriz coadjuvante
São Paulo, 24 (AE) - Para alguém que mal completou seu quinto ano na profissão, Angelina Jolie acumula prêmios com espantosa velocidade. "Garota, Interrompida", filme pelo qual concorre domingo ao Oscar de melhor atriz coadjuvante e que estréia em São Paulo na cidade dia 7 de abril, fez com que a atriz arrebatasse, em janeiro, seu terceiro Globo de Ouro consecutivo.
Aos 25 anos, a filha dos atores Jon Voight e Marcheline Bertrand tem sua meteórica carreira impulsionada por uma mistura de talento, versatilidade e o hábito de expor, sem o menor constrangimento, aspectos bizarros de sua vida - como o fascínio pela automutilação e as cicatrizes que ostenta junto com as várias tatuagens.
Estratégia de marketing ou não, saiu-se tão bem ao manipular em público as próprias neuroses que, em vez de resvalar para o grotesco, acabou transformando-as em fetiche. O artifício, porém, não seria tão eficiente se não fosse acompanhado por uma boa dose de talento dramático - que o digam as aspirantes à atriz que tentaram o mesmo caminho sem jamais conseguir deslanchar na carreira.
Quem viu Angelina Jolie como a adolescente que luta contra vilões virtuais em "Hackers", filme que marcou sua estréia nas telas em 1995, teria dificuldade em reconhecê-la como a primeira-dama do Alabama no telefilme "George Wallace", papel que lhe rendeu seu primeiro Globo de Ouro em 1998.
De mulher de político a top model bissexual e drogada, no ano seguinte Angelina passou por outra metamorfose ao protagonizar o telefilme baseado na vida da modelo Gia Carangi, papel que lhe garantiu mais um Globo de Ouro.
Aparentemente avessa à tática de investir no mesmo filão de personagens até esgotá-lo, ela busca a diversidade nas telas. Depois de viver a detetive que contracena com Denzel Washington em "O Colecionador de Ossos", vai encarnar a versão cinematográfica de Lara Croft, heroína do videogame "Tomb Raider" definida como uma espécie de Indiana Jones de saia - ou melhor, de minishort.
Seu sucesso começa a obscurecer o dos pais. A mãe, Marcheline Bertrand, abandonou a carreira de atriz e se tornou empresária da filha. O pai, Jon Voight - que traz no currículo desempenho marcante em "Perdidos na Noite" (1969) e um Oscar de melhor ator por "Amargo Regresso" (1978) - , conforma-se. "Sempre que um jovem vem elogiar o meu trabalho, eu penso: conversa fiada. Ele só está querendo chegar até minha filha", diz o ator, relegado a papéis de vilão em filmes de segunda.
Enquanto isso, Angelina brilha. E ganha espaço na imprensa norte-americana, que não se cansa de divulgar pérolas tiradas do baú de excentricidades da atriz. Seu primeiro casamento, com um roqueiro punk, acabou com uma facada no ventre. Para não esquecer o episódio, Angelina tatuou na barriga a inscrição latina quod me nutrit me destruit - o que me nutre, me destrói. No segundo casamento, com o ator Johnny Lee Miller (o Sick Boy de Trainspotting"), usou como "vestido de noiva" camiseta na qual escreveu o nome do amado com o próprio sangue.
Solteira outra vez, ela diz: "Eu sei que é terrível viver comigo. Não cozinho, não gosto de ser tocada o tempo todo e não quero me justificar. Amo homens, mas não quero ninguém por perto permanentemente". Ao mesmo tempo em que faz declarações como essa, atiça boatos sobre sua sexualidade. Ao saber do ciúme que Melanie Griffith nutre pelo marido, o astro espanhol Antonio Banderas - par romântico de Angelina em "Dance in the Dark, ainda em fase de filmagens - , a atriz sugeriu transar com os dois. "Assim Melanie não ficaria enciumada", explicou.
"As pessoas estão sempre me dizendo para não falar de minha loucura em público. Mas faço porque acho que é uma maneira de aprender", diz a atriz. Quem a aconselha não entende de marketing. Aos 25 anos, Angelina Jolie já começou a construir a própria lenda.





