A eterna cantora de
California Dreaming
A coisa toda começou em 63, quando a mineira Rosa Maria Batista de Souza mudou-se de Machado para o Rio de Janeiro. Mais especificamente quando se apresentou no programa ‘‘Hoje é Dia de Brotos’’, de Rossini Pinto, na Rádio Tupy. Porém, o primeiro registro vocal em disco aconteceu no ano seguinte, através de uma participação no disco ‘‘Simbora’’, de Wilson Simonal. Daí para o primeiro disco solo, ‘‘Uma Rosa na Bossa’’, foi um pulinho. Gravado em 66, o trabalho recebeu boa acolhida tanto de público como de crítica. Nascia, enfim, uma cantora que em 32 anos de carreira gravou 31 discos, entre elepês, compactos e CDs.
O currículo da agora Rosa Marya Colin, 53 anos, é vasto. Tem muitas linhas. Não se limita apenas à música. Além de diversos shows e musicais, Rosa também se embrenhou pelo teatro (na antológica peça ‘‘Hair’’, por exemplo), cinema (‘‘Compasso de Espera’’) e até televisão (participações em especiais da Rede Globo e na Rede Manchete). Mas é na música que Rosa Marya parece sentir-se em seu habitat natural.
Sempre cantou, é certo. Fez shows no Brasil e no exterior (morou de 70 a 74 nos EUA, França e México, por exemplo). Mesmo assim, a mídia nunca lhe deu o valor necessário. Mas bastou a cantora emprestar a voz para ‘‘Califórnia Dreaming’’ para um comercial das lojas C&A, em 88, para ganhar o Brasil. ‘‘Se for dar uma explicação, terei que falar em misticismo porque para mim tudo tem seu momento certo de acontecer’’- diz ela. ‘‘Foi a grande chance que tive na mídia e mesmo assim porque havia interesse da C&A em se promover. Em se promovendo, promoveu também a Rosa Maria que era um subproduto dela’’- analisa.
O sucesso do comercial atiçou a cobiça das gravadoras. O disco ‘‘California Dreaming’’ vendeu, em 89, mais de 200 mil cópias. Ou seja, primeiro disco de ouro da cantora. De lá para cá, as portas se abriram mais facilmente. Outros discos foram gravados, todos com boa acolhida, e o que é melhor: Rosa Marya conquistou seu público.
A fórmula do sucesso é simples, simples: uma voz de timbre jazzístico cantando principalmente grandes sucessos da música americana sem se esquecer de, nesse ou naquela trabalho, gravar compositores nacionais. ‘‘Não é questão de preferência, não porque eu gosto de cantar em português. Acontece que minha voz se presta muito bem ao idioma inglês’’- analisa.
Atualmente, Rosa Marya concilia a agenda de shows pelo Brasil afora com o musical ‘‘Cabaret Brasil’’, na qual é a protagonista. O espetáculo, com direção de Wolf Maia, estreou ano passado no Rio de Janeiro onde permaneceu em cartaz durante 12 meses, e está em cartaz em São Paulo, no Teatro Studium. (A.M.J.)

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