A ESTRELA SOBE
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de agosto de 2000
André Bernardo TV Press 
Como a cantora Isa Galvão, da macrossérie Aquarela do Brasil, que estréia na terça-feira, Maria Fernanda Cândido pretende derrubar a tese de que é um sucesso passageiro
Maria Fernanda Cândido respirou aliviada quando terminou de gravar Terra Nostra. Atordoada com o sucesso de Paola, ela só pensava em tirar férias e rever a família em São Paulo. Quando menos esperava, recebeu um convite do diretor Jayme Monjardim para interpretar Isa Galvão em Aquarela do Brasil. Mesmo inclinada a não desgastar a imagem, resolveu voltar ao batente. Para ela, o papel da moça que sonha em cantar na Rádio Nacional é uma boa oportunidade para desmentir a tese dos 15 minutos de fama, idealizada pelo artista plástica Andy Warhol. Não esperava que meu sucesso fosse instantâneo. Quero fazer o possível para torná-lo duradouro, ambiciona.
De fato, o ano 2000 não poderia ter sido mais generoso para essa bela londrinese de olhos azuis e lábios convidativos. Em Terra Nostra, ela conseguiu a proeza de ofuscar o brilho de outra estrela igualmente cintilante, Ana Paula Arósio. Em seguida, foi eleita a musa do século através de um concurso promovido pelo Fantástico. No entanto, o mais novo fetiche brasileiro não quer nem ouvir falar em posar nua. Não topei e nunca vou topar. Posar nua está totalmente fora dos meus planos, garante.
Por enquanto, as atenções da atriz estão voltadas para Aquarela do Brasil. Para estar bem afinada com a personagem, Maria Fernanda decidiu unir o útil ao agradável. O útil fica por conta das aulas diárias de impostação de voz, expressão corporal e História da Música Popular Brasileira. Já o agradável diz respeito à necessidade de ouvir os grandes compositores dos anos 40, a época de ouro da Rádio Nacional, como Ary Barroso e Pixinguinha. Aos 26 anos, Maria Fernanda procura manter um olhar crítico sobre o trabalho e, principalmente, não se dar por satisfeita. A minha filosofia é a de continuar dando o melhor de mim. Só não dá para achar que vou virar uma exímia cantora em um curto espaço de tempo, ressalva.
Você não ficou receosa de emendar um trabalho no outro?
É claro que fiquei, mas o que eu podia fazer? Não podia recusar um convite do Jayme. O ideal seria que um trabalho não fosse tão perto do outro. Mesmo assim, estou feliz por tê-lo aceito. Além disso, um papel desses não é todo dia que aparece e não podia simplesmente recusá-lo. Continuo naquela filosofia de fazer o melhor possível. Desde que terminei de gravar Terra Nostra, não tive tempo para nada. Descansei uns 20 dias, matei saudade dos meus pais, dei uma viajada. Mas tudo muito rápido. Não deu nem para aproveitar direito.
Qual foi a maior preocupação na hora de compor a Isa?
Foi justamente a falta de tempo. Tive apenas um mês para me preparar para o papel. Um mês não é nada. É muito pouco. Fiz aulas de canto, como sempre faço. Gosto de estar sempre trabalhando o meu principal instrumento de trabalho. Aliás, sempre gostei muito de cantar. E de ouvir música também. Só não dá para achar que vou virar uma exímia cantora depois de um mês de preparação. Na medida do possível, vou dar o melhor de mim.
Mas você vai precisar cantar de verdade na macrossérie?
Ainda não sei. Por via das dúvidas, resolvi me preparar para cantar as músicas, independentemente de ter alguém para me dublar ou não. Por enquanto, a única coisa que sei é que não dá para fazer som direto. É quase impossível. Como não sei como o Jayme vai resolver isso, mas me preparei o máximo que pude: ensaiei as músicas e tive aulas de canto.
Você já sabe as músicas que vai cantar em Aquarela?
Sei. Já ensaiei três músicas. Eu e o Lauro César Muniz combinamos o seguinte: na medida em que eu for recebendo os capítulos, gravo aquelas músicas especificamente. Ou seja: optei por priorizar o repertório da macrossérie e trabalhar as músicas escolhidas pelo Lauro. Deste jeito, já ensaiei Carinhoso, do Pixinguinha, Ave Maria no Morro, do Herivelto Martins, e, é claro, Aquarela do Brasil, do Ary Barroso. Aliás, é com essa música que a Isa vai ganhar o festival...
Em algum momento, você compartilhou do sonho da Isa de se tornar uma cantora?
Não, nunca. Até gravei uma faixa do CD de Terra Nostra no ano passado. Ficou bonitinha. Mas, na verdade, eu não cantei ali. Só recitei alguns versos. Não dá para considerar aquele trabalho como estréia musical ou algo parecido. Independentemente da Isa sonhar em ser cantora, compartilho do sonho de crescer na profissão e expandir os horizontes. Neste sentido, somos parecidas. A Isa é uma garota que mora em Roseiral e, logo, percebe que aquela cidade é pequena demais para ela. Isso é bacana porque somos movidas a sonhos. Ou, pelo menos, deveríamos ser. Temos de expandir nossos horizontes, crescer naquilo que fazemos de melhor e assim por diante. Neste sentido, me identifico com ela.
Você espera repetir o sucesso da Paola?
Tomara. Afinal, o feedback da Paola foi maravilhoso. Eu sinto que as pessoas vão gostar da minissérie. Eu tenho essa sensação. Mas não posso garantir com certeza. Quando leio os capítulos em casa, adoro a minissérie. Não consigo desgrudar os olhos do texto do Lauro. Fico aflita para saber o que vai acontecer nos capítulos seguintes. A história prende muito a minha atenção. Esse é um ponto a favor. Aí, pega o texto do Lauro e junta à direção do Jayme, já imaginou? Essa dupla é genial. Há vários elementos que conspiram para o sucesso da minissérie. Só quero contribuir um pouquinho para esse sucesso.


