A estrela de Madonna volta a brilhar
Madonna foi a grande vencedora da 15ª edição do Video Music Awards, a premiação organizada pela MTV norte-americana, anteontem em Los Angeles. A pop star recebeu seis prêmios, incluindo o de melhor vídeo do ano por seu Ray of Light, e ainda saiu como vencedora indireta por conta dos dois prêmios arrematados pelo Prodigy, um dos grupos mais bem-sucedidos de seu selo Maverick. O diretor mais quente do mercado passa a ser o sueco Jonas Akerlund, responsável pelos vídeos de Madonna e do Prodigy.
A cantora, que foi indicada para nove categorias, aproveitou a transmissão da cerimônia nos Estados Unidos para dar uma prévia de seu novo vídeo, The Power of Goodbye, deu entrevistas, apareceu com três roupas diferentes, mas na hora de soltar a voa fez feio. Madonna foi bem ao apresentar a música Shanti/Ashtangi, com dançarinas em roupas indianas e fazendo movimentos de ioga, mas sua versão de Ray of Light foi sofrível. Acompanhada de Lenny Kravitz na guitarra, ela teve dificuldade de alcançar os agudos da música - uma das mais altas do disco.
O VMA deste ano foi marcado, aliás, pela palidez das apresentações ao vivo. Além de bobagens como os shows do Backstreet Boys e Brandy & Monica, o Hole também não empolgou com sua primeira performance de Celebrity Skin. Quem salvou a noite foi Marilyn Manson, ótimo em seu novo look glam rock para interpretar Dope Show, e os Beastie Boys, que cantaram Three MCs and One DJ e Intergalactic acompanhados apenas do DJ Mix Master Mike.
Os Beastie Boys, que, ao lado de Madonna estão entre os grandes sucessos de vendas do ano, receberam uma homenagem pelo conjunto de sua carreira. O grupo, que já produziu trabalhos inesquecíveis, como o vídeo de Sabotage, aproveitou o momento para criticar a atitude do governo norte-americano em relação aos países do oriente médio. Adam Yauch, o beastie responsável pelo Tibetan Freedom Concert, disse que é hora de os Estados Unidos pararem com seu preconceito contra muçulmanos e outros povos que não são formados apenas por terroristas.
Outro momento político do evento aconteceu quando Wyclef Jean, dos Fugees, agradeceu pelo prêmio de melhor clipe de rhythm & blues, por Gone Till November. Ele criticou uma piada do filme How Stella Got Her Groove Back, com Angela Bassett e Whoopi Goldberg, que associa o Haiti com a crise da Aids. Jean, que é do Haiti, contribuiu para a trilha sonora da produção.
Outros nomes que se saíram bem na premiação foram Will Smith e o Aerosmith. O ator de Homens de Preto venceu duas categorias: melhor vídeo masculino, com Just the Two of Us, e melhor vídeo de rap, com Gettin Jiggy Wit It. O grupo da terceira idade ficou com os prêmios de melhor vídeo de rock, para Pink, e melhor vídeo de um filme, para I Dont Want To Miss a Thing, tema de Armageddon.
Vitórias mais discretas foram as de Natalie Imbruglia, como melhor artista nova em um vídeo (Torn), Bjork, com o prêmio de melhor direção de arte por Bachelorette, e o Green Day, com o de melhor vídeo alternativo por Time of Your Life (Good Riddance). O onipresente produtor Puff Daddy teve seu clipe de Its All About The Benjamins, dirigido por Spike Jonze, escolhido como o favorito da audiência.
É pena que a 15ª edição do evento que foi concebido para ser a antipremiação tenha caído na mesmice de todas as outras cerimônias. O VMA sofreu com a falta de carisma do apresentador Ben Stiller, que está atualmente em cartaz em Quem Vai Ficar Com Mary?, e com a falta de ritmo das apresentações. Enquanto a emissora acertou ao colocar Madonna logo no início da cerimônia e segurar Marilyn Manson para o fim, é inexplicável a presença da Brian Seltzer Orchestra fechando a festa. Os números de rap, em geral criativos e produzidos, este ano também soaram vazios com as apresentações de Praz, dos Fugees, e Master P. Melhor sorte para a emissora no ano que vem.Vince Bruce/France PresseMadonna com o diretor sueco Jonas Akerlund, responsável pelos vídeos da cantora e do ProdigyGuto Barra
Planet Pop/AE





