Zeca Corrêa Leite

Marcelo AlmeidaFernanda Montenegro: ‘‘Acho que uma cidade como esta, um Estado civilizado como este, que tanta atenção dá à cultura, precisava de uma cinemateca’’A quarta-feira passada teve noite de festa com a inauguração da Cinemateca de Curitiba. O governador Jaime Lerner, um dos maiores apaixonados por cinema, como ele mesmo confessou - quando pode, vai até três vezes por semana ao cinema, acompanhado da esposa Fany - chegou a tempo de participar dos discursos que antecederam à exibição do filme ‘‘Boleiros’’, de Ugo Giorgetti. O clima era de euforia, mas a estrela da noite nem foi a Cinemateca. Foi Fernanda Montenegro.
Aplaudida pelo público, paparicada pela imprensa e autoridades, a atriz manteve a mesma postura de elegância e dignidade que é sua marca. Simpática com todos os que dela se aproximavam, não demonstrou cansaço ou enfado momento algum. Foi a mais assediada para entrevistas, a mais citada nos discursos. Coube a ela descerrar uma placa comemorativa.
Não fosse a lembrança da presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Margarita Sansone, teria passado em branco a presença do diretor do filme que inaugurou a sala. Tímido, Ugo Giorgetti encarnava a figura do ilustre desconhecido. Segundo funcionários da Fundação Cultural também ele deveria descerrar uma placa, mas acabaram se esquecendo.
Coube ao governador Lerner o discurso mais emocionado da noite. Bem-humorado, contou sobre um dia de aniversário e a observação de um amigo de que estaria envelhecendo. Não é assim. ‘‘Quem sonha nasce todo dia’’, foi sua resposta. E esse foi o raciocínio usado para falar da perenidade da sétima arte. A cada vez que se assiste a um filme, tem-se a experiência de um sonho. É a revitalização da alma. ‘‘O amor ao cinema é o amor ao sonho, amor à vida’’, enfatizou.
Momentos antes, aos jornalistas, fez considerações sobre a importância cultural da cidade e do Estado. A volta da cinemateca, agora em novo endereço, representou para ele ‘‘um acontecimento’’. Afinal ali estava um ‘‘fanático por cinema’’. Mas como o filme que seria exibido tinha por base o futebol a pergunta foi automática: ‘‘O senhor gosta de futebol?’’ Torcedor do Coritiba, Lerner retrucou:
- Você está mexendo com duas coisas que entendo muito: futebol e cinema.
A atriz Fernanda Montenegro acredita que a cinematografia brasileira vive uma época de renascimento, com a conquista de prêmios importantes e o respeito internacional. Assim sendo, ‘‘acho que uma cidade como esta, um Estado civilizado como este, que tanta atenção dá à cultura, precisava de uma cinemateca’’, comentou. ‘‘Isto porque todos nós, de certa forma, estaremos lá guardados’’.
O prefeito Cássio Taniguchi frisou a importância da preservação da memória fixada em imagens. Ele lembrou que cerca de 900 títulos compõem o acervo da Cinemateca de Curitiba e, fazendo jus aos criadores da antiga Cinemateca do Museu Guido Viaro, lembrou dos nomes de Valêncio Xavier e Aramis Millarch, além de ‘‘outros que fizeram da nossa Cinemateca uma das melhores do País’’.

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