Uma explosão de cores é o que o público vai ver, a partir de hoje, às 20h30, no Espaço de Cultura Catuaí, em Londrina, com a abertura da exposição de pinturas do artista plástico e arquiteto paulista José Gonçalves. Quem acompanha a carreira do artista, desde que montou sua primeira individual em Londrina, em 92, vai identificar, à primeira vista, o impacto visual que o excesso de cores nos trabalhos - quase que a marca registrada do artista - causa.
Dos 18 quadros expostos, em técnica mista sobre tela, pelo menos cinco já estão vendidos praticamente desde que ficaram prontos. E não é à toa. O reconhecimento por sua obra cresce proporcionalmente à medida que Gonçalves vai buscando alternativas e experimentações nada ortodoxas em matéria de arte. Seus quadros prendem literalmente o olhar que busca, depois de minimizado o primeiro impacto da ‘‘poluição’’ de cores, o detalhe sofisticado, o traço firme, o quadro por trás do quadro.
Aliás, esta é justamente a intenção do artista para esta exposição. Misturando a paisagem do Paraná - mais precisamente a que é vista pelas janelas do carro no trecho entre Londrina e Maringá - a elementos da pop art dos anos 60 e das atuais Histórias em Quadrinhos, Gonçalves consegue um efeito onde há sempre um elemento a ser descoberto, por mais que se observe. Quase como uma brincadeira de esconder.
Terceira dimensão Cerca de um ano indo e vindo pela estrada que liga as duas cidades - enquanto executava um projeto arquitetônico em Maringá - serviu para marcar a mente e o olho do artista. ‘‘Comecei a notar detalhes que me chamavam a atenção: uma barraca de beira de estrada - destas que vendem de tudo -, um outdoor, uma placa de trânsito, um barracão no meio do campo. A partir daí, comecei a tirar fotografias’’ - conta.
Estas fotos serviram como base para o trabalho. Mas não no sentido comum que se poderia pensar. Com seu método único de trabalho, onde a concepção de cada quadro é ‘‘testada’’ em uma espécie de croqui, as fotos foram retalhadas, montadas, coladas até obter o efeito que o artista buscava. Na maioria, apenas um pequeno detalhe era aproveitado. Este detalhe - ampliado, distorcido ou invertido - serviu, então, como uma espécie de fundo onde outras imagens se fizeram presentes. ‘‘Às vezes, planejo fazer uma coisa mas só consigo até certo ponto. Aí aparece o sentimento e aquilo sai do planejamento’’ - afirma.
Na exposição há muito do lado arquiteto de Gonçalves, mesclado com o lado artista. A pop art com seus grafismos, por exemplo, remete à arquitetura. Por outro lado, o excesso de cores do mesmo estilo tem muito a ver com o próprio José Gonçalves. ‘‘Eu sou assim, colorido. E nesta fase, estou trabalhando com o excesso sempre. Excesso de cores, excesso de tinta, excesso até na forma que os quadros estarão distribuídos’’ - diz.
A própria sobreposição de imagens é uma forma que o artista encontrou para exceder o espaço da tela. ‘‘A tela limita muito. E estas várias imagens são uma espécie de tentativa de obter uma terceira dimensão, uma procura de algo não óbvio. É uma pintura sobre pintura, quase como uma reciclagem. Aliás, todos os quadros têm o símbolo da reciclagem’’ - explica. Com certeza, uma exposição para marcar.
q José Gonçalves - abertura hoje, às 20h30, no Espaço de Cultura Catuaí do Shopping Catuaí de Londrina. A exposição permanece no local até dia 19 e pode ser visitada no horário comercial do shopping.

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