Ainda que o homem seja capaz de construir obras grandiosas, é preciso dar a mão à palmatória. A natureza é a melhor arquiteta e faz tudo com uma modéstia desconcertante. Quando se pensava que não havia mais nada de novo no litoral sul de São Paulo, surge uma bela surpresa. A Estação Ecológica da Juréia-Itatins reúne 54 mil hectares de morros, praias, mangues, rios e matas com espécies de plantas. Animais silvestres em extinção noutros pontos do país encontram refúgio na estação ecológica.
A porta de entrada para a Juréia-Itatins é a Barra do Ribeira, um bairro situado a 20 km de Iguape. A última praia liberada antes de chegar na estação é a praia da Juréia, de areias monazíticas e ondas fortes. A natureza intocada e a solidão interminável do oceano acompanham a praia deserta.
O controle absoluto da preservação da Juréia-Itatins fica claro logo na entrada. Para visitar o lugar é preciso uma autorização do Instituto Florestal de Divisão de Reservas e Parques Estaduais, que pode ser conseguida em Iguape. A natureza prepara um espetáculo de beleza para os visitantes da reserva. A conservação impressionante da Mata Atlântica, que exibe do jequitibá secular ao lírio-do-brejo descreve fielmente o retrato do Brasil de 500 anos. Quem decidir conhecer a Juréia-Itatins deve se despir de toda a carga de gerações da civilização moderna. Desnecessário dizer que a reserva é frágil e o equilíbrio ecológico correria sérios riscos se o turismo cismar em depredar uma das últimas fronteiras da Mata Atlântica. (M.B.)

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