Natal Praia que não acaba mais. É a sensação que se tem em um giro pelo litoral do Rio Grande do Norte, a esquina mais ensolarada do Brasil. São 410 quilômetros de faixa de areia, o triplo da vizinha Paraíba e duas vezes a extensão de Pernambuco, com quase o dobro de território. Uma imensa costa de água verde, piscinas de recifes, paredões de falésias com até 190 metros de altura e dunas, lagoas e coqueirais. Tanta riqueza atraiu para o Estado 2,1 milhões de turistas em 2005 17,55% a mais do que em 2004. Já é o principal destino de vôos charters internacionais para o Nordeste: 18 por semana.
''Natal está muito popular na Suécia entre os destinos exóticos e de praias'', diz a sueca Matilda Wigren, de 26 anos, loirinha de olhos azuis e pele já avermelhada pelo sol. É a primeira vez que ela e o namorado, Joakim Söderquist, de 27, visitam o Brasil. ''Só conhecíamos a caipirinha, mas lá custa caro'', diz Joakin. O casal também elogia os frutos do mar, a carne e a hospitalidade brasileira. E pensa até em morar por aqui. ''Mas só depois dos 60 anos, para se aposentar com qualidade de vida, num lugar de clima quente.''
Como Matilda e Joakin, os europeus vêm em vôos diretos dos cantos mais frios da Europa, como Inglaterra, Holanda, Noruega, Dinamarca e Finlândia, além de Portugal, Espanha e Itália. Trocam temperaturas gélidas pela média de 28 graus de sol em apenas seis horas e meia duração do vôo Lisboa-Natal, da portuguesa TAP, que em 2005 passou a operar 5 vôos regulares por semana, com 260 passageiros. Muitos vêm e ficam, trazendo ao Estado milhões em investimentos.
Brasileiros ainda são maioria e vêm até de praias vizinhas, como o paulistano de nascimento e ''nordestino de coração'' Aroldo Ojima, de 54 anos, que há 7 trocou São Paulo por Recife com a mulher, Mitiko, de 53. ''Agora vou trazer amigos e parentes. O Recife já está muito desenvolvido. O turista gosta é de praia deserta'', diz Ojima. ''Só não volto é para São Paulo.''
Apesar de brasileiros serem maioria 1,7 milhão em 2005, 16,64% a mais do que em 2004 o número de estrangeiros cresce em maior escala: 22,38% no período, somando 345 mil turistas. O número mais do que dobrou (135%) desde 2002 ante 37% entre brasileiros.
''O que o estrangeiro procura aqui? Tudo isso'', diz o italiano Daniel Brescia, de 32 anos, abrindo os braços para a primitiva Praia de Sibaúma. De cima do cavalo alugado por R$ 50,00, os italianos Daniel Brescia, de 32, e Simone Giambo, de 34, admiram a paisagem. Daniel passa férias no Brasil há 5 anos. Visitava Rio e São Paulo até cair em Natal. ''É magnífico.''
Os gringos gastam mais em hotéis, restaurantes e passeios (US$ 83,55 por dia ante U$ 53,25 dos turistas nacionais) e pagam à vista. ''O europeu é nosso melhor público'', diz a artista plástica Rita Gava que há 2 anos trocou Vitória (ES) pela Praia de Pipa, onde abriu o primeiro restaurante Panela de Barro, com vista para uma prainha de pescadores. O peixe chega direto do barco para sua cozinha, conhecida no boca-a-boca como o melhor endereço para moquecas do Rio Grande do Norte.
O turismo já é a maior atividade econômica do Estado. Em 2005, os visitantes deixaram US$ 571,9 milhões, 37,23% mais do que em 2004, ultrapassando a receita de exportações como petróleo, camarão e castanha de caju. Os dados são do Conselho Estadual de Turismo (Conetur) e da Infraero.
Para atender à demanda, estão previstos um novo aeroporto para 5 milhões de passageiros e a duplicação da BR-101, que corta o litoral. Só não se sabe quando. Infra-estrutura é um problema latente no Rio Grande do Norte. Quase nenhuma praia tem saneamento básico. As mais próximas do centro de Natal já têm sinais de poluição. No principal cartão-postal da capital, Ponta Negra, a vida noturna transformou a antiga vila de pescadores em ponto de prostituição e turismo sexual.
Em outubro, vôo charter da Holanda só com homens foi impedido de desembarcar, após denúncia de que vinham com um objetivo: sexo a preço de banana. ''Natal atravessa um fenômeno quase único de crescimento acelerado'', diz o secretário municipal de Turismo, Fernando Bezerril. ''Estamos aprendendo a lidar com o turista.''
Para a pesquisadora Fátima Leal, da Universidade de Brasília, ''Natal precisa de uma política de turismo sustentável para resguardar seu patrimônio ambiental e os direitos de seus cidadãos sobre a terra''. Se conseguir, só terá a comemorar, com sol e turistas o ano inteiro.

mockup