A esquerda em combate
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de janeiro de 1998
Nelson Sato Londrina 
ReproduçãoMaria da Conceição Tavares: economista escreveu um dos volumes da coleção, em parceria com o cientista social José Luis FioriAos poucos, ela retoma seu poder de fogo. Depois de um período em coma, fulminada pelo suposto fim das ideologias, a militância teórica de esquerda volta a esgrimir suas armas.
No Brasil, a primeira grande iniciativa aglutinadora vem da editora Vozes, que está lançando uma série de volumes reunindo autores combativos daqui e de fora - todos empenhados em apontar caminhos que levem à solução das exclusões oriundas da política neoliberal vigente.
Intitulada Zero à Esquerda, a série reúne teses caudalosas e às vezes áridas - mas inclui também uma variada gama de artigos, conferências, entrevistas e ensaios de intervenção política que andavam dispersos pela imprensa e publicações especializadas.
ReproduçãoLivro do filósofo alemão Robert Kurz discute assuntos como a união européia e o milagre econômico japonês
A coleção, que é coordenada por Paulo Eduardo Arantes e Iná Camargo Costa, abrange reflexões nas áreas de filosofia, economia, antropologia e sociologia. Os temas vão da conjuntura brasileira ao questionamento da própria doutrina marxista.
Já nas livrarias, a primeira fornada apresenta 5 títulos: Os Últimos Combates, de Robert Kurz; Poder e Dinheiro: Uma Economia Política da Globalização, de Maria da Conceição Tavares e José Luis Fiori; Dicionário de Bolso do Almanaque Philosóphico Zero à Esquerda, de Paulo Arantes; Os Moedeiros Falsos, de José Luis Fiori; e A Ilusão do Desenvolvimento, de Giovanni Arrighi.
Em Londrina, todos os títulos estão à disposição na livraria Vozes (rua Piauí, 72, tel. 043/325-7167). No prelo da editora, previstos para chegar aos leitores nesse começo de ano, encontram-se os volumes Desafortunados, de David Snow e Leon Anderson; Globalização em Questão, de Paul Hirst e Grahame Thompson; Metamorfose da Questão Social, de Robert Castel; e Terrenos Vulcânicos, de Dolf Oehler.
Para quem engoliu a balela de que a esquerda estava morta, tal amostragem é suficiente para um belo susto.


