Curitiba – Faltam dois meses para Curitiba viver mais uma vez o seu frisson de dez dias teatrais. Seguindo a tradição de 21 a 31 de março acontecerá o 11º Festival de Teatro de Curitiba, com cerca de 18 espetáculos na mostra oficial e mais de uma centena no cardápio do Fringe (mostra paralela). Demais eventos como palestras, oficinas, filmes, lançamentos de livros também estão sendo trabalhados pela organização. Pelo terceiro ano o festival está orçado em R$ 2 milhões. Detalhe: nesta edição virão somente montagens nacionais.
O espetáculo que abrirá a temporada de 2002 no Teatro Ópera de Arame está sendo mantido em segredo pelos responsáveis. Mas segundo apurou a Folha2 a estréia se dará com o último sucesso da dupla Miguel Falabella e Maria Carmen Barbosa: ‘‘South American Way – Carmen Miranda, o Musical’’. A peça está em cartaz no Rio de Janeiro. Victor Aronis, diretor-geral do evento, não quis comentar a informação, mas concordou que um musical está vindo para o festival. A seguir a entrevista concedida por Aronis.
De modo geral, como está o 11º Festival de Teatro?
O festival vai repetir a mesma estrutura dos anos anteriores: a mostra de teatro contemporânea, mostra de teatro infantil, os eventos e o fringe. Cada vez mais há procura pelo fringe, não só de espetáculos nacionais mas internacionais. Quer dizer, as pessoas estão descobrindo nele uma porta de teatro no mercado das artes. É uma maneira do artista poder mostrar de maneira concentrada seu trabalho. Este ano tivemos mais de 200 espetáculos inscritos.
Então neste ano o Fringe vai dobrar seu número de apresentações?
A idéia é de que ele cresça, mas não sabemos se vai dobrar. Ano passado foram 105 espetáculos e este ano deve aumentar; não teremos a totalidade dos pedidos porque existe limitação de espaço. O problema volta novamente a ser físico, apesar do surgimento de vários espaços culturais na cidade. Porém, uma vez que se abre um espaço, ele cria possibilidades para que grupos locais, após o festival, venham a utilizá-lo. Hoje, essa é a grande dificuldade do teatro local: ficar um mês, mês e meio em cartaz para que aconteça de fato o movimento teatral, o boca a boca.
Que espaços novos são esses?
Um deles, que a gente deve estar utilizando, fica no centro, na Rua José Loureiro. Embaixo da Igreja do Guadalupe (centro) tem um teatro; tem também o auditório do Colégio Estadual (no bairro Juvevê) que a gente utilizou algum tempo atrás; na Avenida Munhoz da Rocha (centro) tem outro. São espaços que têm que voltar também à atividade cultural. O Festival possibilita isso: a inclusão de locais que não fazem parte do circuito normal.
Para este ano virão espetáculos do exterior, ou o dólar inviabilizou projetos nesse sentido?
Não tem esse problema em relação ao dólar, nosso problema basicamente é a antecedência exigida para os contatos. Apesar de começarmos a produzir o festival entre os meses de agosto e setembro do ano anterior, não é suficiente para fazermos bons contatos no exterior. Precisaríamos de um contato de dois anos. A não ser que a gente entre num circuito internacional que é o de espetáculos subsidiados que estão circulando pela América Latina. Não queremos aproveitar aquilo que está vindo para cá; queremos aquele que nós escolhemos. E isso se torna muito difícil. Aconteceu de haver coincidências e conseguirmos alguns que não estavam ocupados nessa época.
Pode-se adiantar a programação deste ano?
Bem, como ainda não temos contratos assinados, então estamos evitando divulgar nomes, inclusive dos artistas. Posso dizer que Elias Andreato e Iara Jamra estarão com um espetáculo de rua, ‘‘Oi Nóis na Fita’’. Tem outro espetáculo com direção do Elias, ‘‘Sou Eu que Vou Contar’’. O texto é de Marta Góis.
Extra-oficialmente, comenta-se que a abertura será um musical assinado pelo Miguel Falabella. É verdade?
A gente quer trazer o gênero do musical para o festival, que é uma coisa que está recomeçando no País.
Então vocês não vão se preocupar somente com estréias?
O festival é uma mescla de estréias nacionais com espetáculos importantes que já estrearam e os que tragam uma proposta nova de diretores iniciantes.
Como estão os eventos paralelos?
A gente sempre procura ter lançamentos de livros, filmes, debates, encontros com atores, diretores, oficinas em parceria com o Sesc. Acreditamos muito na formação, não somente na reciclagem do profissional da área, como também uma iniciação para todos aqueles que têm essa curiosidade. As oficinas dirigidas a professores são as mais procuradas. Há um grande número de professores buscando essas oficinas até como alternativas de educação, como ferramenta auxiliar no seu processo de formação. Também tem muito sucesso as oficinas de contação de histórias, de clown e até mesmo ginástica de solo.
Em quanto está orçado o festival deste ano?
Continua orçado nos mesmos valores dos últimos três anos – gira em torno de R$ 2 milhões. Ele vai se adaptando à situação geral do País, em algumas coisas a gente vai substituindo dinheiro por melhores permutas, por preços mais acessíveis e então o orçamento tem se mantido nesse patamar.
Depois de 11 anos é mais fácil permutar?
É mais fácil permutar, é mais fácil ter patrocínio. Este ano os patrocinadores são Banco Itaú e Tim, por enquanto. Devemos fechar mais um patrocínio nas próximas horas.

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