À espera de um Grammy
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quarta-feira, 09 de janeiro de 2002
Zeca Corrêa Leite 
Curitiba - O diretor artístico da 20ª Oficina de Música de Curitiba, Alex Klein, está radiante. Em parte pelo êxito que vem marcando o festival desde seu primeiro dias, mas a boa-nova que chegou a ele no domingo, de que está concorrendo ao Grammy como melhor instrumentista em performance orquestral, tomou-o de surpresa. A alegria continua, acrescida da expectativa para o resultado que será conhecido em 27 de fevereiro. Mas para o músico bastou a indicação para ele já sentir premiado.
Estou muito feliz, disse ontem para a Folha de Londrina. Unanimidade mundial no oboé, venceu os mais importantes concursos e é dos mais premiados na história de seu instrumento. Dessas láureas citam-se o Concurso Internacional Lucarelli para solistas de oboé, realizado no Carnegie Hall de Nova York; o Concurso Internacional de Oboé F. Gillet, o II Concurso Internacional de Oboé de Tóquio.
Considerado o melhor intérprete de música tcheca no Concurso Internacional Primavera de Praga, foi o primeiro oboísta a vencer o Concours Internacionale dExécution Musicale em Genebra, o que não ocorria háá 29 anos, desde a vitória de Heinz Holliger.
Há seis anos mora em Chicago. Foi convidado a ir para lá a convite do maestro Daniel Barenboim. É o primeiro oboísta da orquestra sinfônica local, além de lecionar na Nothern University, em Illinois.
Alex Klein, que cresceu em Curitiba e se iniciou na música nesta cidade, está próximo do Grammy pela participação num CD da Orquestra Sinfônica de Chicago dedicado aos concertos de Richard Strauss para sopros e orquestra. A regência é de Daniel Baremboim. Klein toca o Concerto de Oboé.
Como você vê essa indicação?
Como uma grande honra. É a primeira vez que fui nomeado para um Grammy e estou muito feliz só de ser nomeado. Aconteça o que acontecer no dia 27 de fevereiro quando o envelope vai ser aberto , já estou muito feliz e orgulhoso de ter sido nomeado.
Foi uma surpresa ou já se esperava por algo semelhante?
Foi uma grande surpresa. Não tinha a mínima idéia que isso viria.
Qual a importância do Grammy para você?
Pensei que já tivesse passado a época de concursos e competições no oboé. E de repente me apareceu esse. Por um lado é uma volta ao passado, em que a ambição me levava sempre a conquistar uma montanha mais alta. Mas o Grammy não é um concurso onde eu vou lá tocar, mas sim o reconhecimento de alguma coisa que já foi feita. Olha, estou muito feliz. O que ele representa para mim é também um reconhecimento do trabalho que fiz, é como se alguém me tivesse acordado. A gente está sempre correndo, preparando oficina, estudando para concertos, se preocupando com alunos, levando as crianças para a escola. Aí de repente alguém me acorda e fala: Gostei do seu trabalho, estamos pensando em lhe dar um prêmio. Por alguns minutos parou a minha vida. Puxa vida, muito obrigado.


