A emoção como trunfo
A emoção como trunfo
O De Anima Ballet do Paraná é um projeto de dois pais: de Richard Cragun e Roberto de Oliveira, coreógrafo carioca que há 13 anos deixou o Brasil para viver na Europa e, há dez, trabalha com o norte-americano. Na companhia, responderá pela direção artística e coreografia. Eu vou ser a pessoa que vai imprimir a linha coreográfica à companhia. O que queremos fazer, antes de tudo, é a linha de balé contemporâneo, explica.
Apontado na Europa como um dos mais evidentes talentos surgidos ultimamente no balé contemporâneo, Oliveira argumenta que no Brasil, apesar da evolução verificada na dança nos últimos anos, ainda assim o que existe são pessoas copiando técnicas do balé moderno. Falta criação coreográfica, reclama. Únicas exceções na área contemporânea são Rodrigo Pederneiras, Deborah Colker e o 1º Ato, de Belo Horizonte.
A diferença das escolas americana e européia para a brasileira está na emoção. Acho que o brasileiro tem uma maneira de se deixar levar pela emoção, e isso dá todo um revestimento ao trabalho. Isso, talvez, seja nossa grande marca, nosso grande trunfo.
Seria essa a marca que ele pretende colocar no Anima? É só o que sei fazer. O meu trabalho é muito emotivo, mesmo que às vezes tenha um fundo até filosófico e racional. Mas antes de tudo é o filtro de uma sensibilidade minha, responde.
O espetáculo de estréia, que acontecerá no Teatro Ópera de Arame, provavelmente em abril, vai se chamar Talvez, Companhia, e terá música de Phillipe Glass. Basicamente iremos apresentar à cidade de Curitiba, e ao País, os elementos que temos na companhia, explica Oliveira.
O segundo balé da sessão poderá ser O Despertar, que o coreógrafo criou para a Ópera de Berlim, há cerca de dois anos. Esta obra aborda a reencarnação. É todo o ciclo das almas. O terceiro, Anima Brasilis entra no contexto das homenagens aos 500 anos de Brasil. Será um pouco a composição da alma brasileira, antecipa o bailarino. (Z.C.L.)





