Curitiba - Em 2009, o jornalista e cineasta Rafael Urban, que trabalhava na sucursal de Curitiba da FOLHA DE LONDRINA, recebeu do colunista Luiz Geraldo Mazza uma dica para uma matéria: uma senhora, Ragnhild Borgomanero, mantinha na sala de estar de sua casa um acervo de mais de dois mil itens, entre artefatos antigos, gemas e uma coleção de fósseis.
Urban entrou em contato com Ragnhild, foi à casa dela e fez uma entrevista que durou das 19 horas às quatro da madrugada. Pôde constatar que a dica de Mazza era ''quente''.
Em várias prateleiras, a nutricionista aposentada, hoje com 77 anos, mantém um acervo impressionante de gemas (como turmalinas, opalas e esmeraldas), peças antigas, entre elas um vidro romano, peças etruscas e flechas da Idade da Pedra, e a maior coleção particular de fósseis da América Latina, onde destacam-se um ninho com ovos de dinossauro e uma peça com algas de 1,2 bilhão de anos.
Ragnhild, nascida na Alemanha, montou esse imenso acervo com o marido, o diplomata italiano Guido Borgomanero, que morreu em 2005. Guido tinha uma curiosidade por esses itens que chamava de ''doença da pedra'', que acabou ''contaminando'' também a esposa. Eles se conheceram na Noruega em 1963 e vieram morar em Curitiba nos anos 1970.
''Ela tinha uma disposição muito grande, principalmente de contar a história do marido. Aprendeu Photoshop e Premiere (programas de edição de fotos e de vídeos) para tratar imagens e áudios e preservar a memória dele. Senti, naquela entrevista, que teria muito prazer em voltar àquela casa. E sabia que, para fazer um filme, teria que voltar lá muitas vezes'', explica o curitibano Urban, de 25 anos.
Nascia ali a ideia para o documentário curta-metragem ''Ovos de Dinossauro na Sala de Estar'' (mesmo título da matéria, publicada na FOLHA em março de 2009), lançado recentemente e que em maio recebeu dois prêmios no festival Cine PE 2011, em Recife: Prêmio da Crítica na Mostra Competitiva de Curtas Digitais e menção honrosa pela originalidade na concepção do filme.
''Senti algo forte, de chegar em uma casa que tinha uma presa de mamute, um ninho de ovos de dinossauro. Mas o que mais me impressionou foi essa mulher, a dona dessa coleção. Foi aí que eu senti um estalo de fazer o filme'', lembra Urban. Da ideia à finalização do curta, foram dois anos.
Além dos prêmios no Cine PE, ''Ovos...'' está inscrito em vários festivais que serão realizados no segundo semestre e foi selecionado para o Sesc Vídeo Brasil, programado para o período entre outubro e dezembro em São Paulo. O filme foi financiado pelo Fundo Municipal de Cultura, da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), e tem distribuição da Moro Filmes.

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