A ebulição acústica de O RAPPA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de maio de 2006
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Engana-se quem imaginar um palco com banquinhos, violões e ambiente preguiçoso de luau. O show Acústico MTV, que a banda carioca O Rappa apresenta amanhã no Centro de Exposição e Eventos de Londrina, rompe com os clichês habitualmente associados às produções desplugadas.
O espetáculo traz a banda tentando renovar o quase exaurido formato. Marcelo Falcão (vocais), Xandão (guitarra), Marcelo Lobato (bateria) e Lauro (baixo) gravaram o disco e o DVD unplugged em meados do ano passado, uma semana depois de saírem consagrados do 12º Prêmio Multishow de Música Brasileira, quando faturaram troféus de Melhor Grupo e Melhor Show da temporada.
A turnê está na estrada há seis meses. Em Londrina, o show está previsto para meia noite e meia. A noitada contará também com as bandas Candés e Velho Joe, além de discotecagem dos DJs André Marx e César Ricardo. O repertório do O Rappa reúne canções como Me Deixa, Lado B Lado A, Eu Quero Ver Gol, Pescador de Ilusões, Reza Vela, Na Frente do Reto e Não Perca as Crianças de Vista.
O cenário tem a forma de uma estação de trem, com intervenções de graffiti. No palco, a banda tem a companhia dos músicos Cleber Sena, Juninho (ambos do AfroReggae), Bernardo (percussão), Marcos Lobato (teclados), Pedro Leão (cordas), Alessandra Rodrigos, Vinícius Falcão e Play (os três nos backing vocals).
O instrumental do show é variado reunindo um arsernal incomum para os padrões do pop nacional como craviolas, bandolins, violas caipiras, vibrafone, piano Wurlitzer, acordólia (peça comprada em Praga, capital da Repúblic Tcheca), além de instrumentos indianos e peças de percussão. Há ainda um gramofone, um gramodisco (uma picape MK2 adaptada pelo DJ do grupo, Negralha, em corpo de gramofone) e uma orquestra de campainhas.
O projeto Acústico marcou a mais radical exploração de timbres registrada pelo Rappa desde sua criação há pouco mais de uma década, quando despontou como revelação fundindo reggae, rock, dub e letras de teor sócio-político. Ao longo da trajetória, a banda cativou público e crítica aliando as atividades no show biz com apoio a movimentos de conscientização da cidadania.
Uma fração de cada cachê, aliás, é doada a ONGs parceiras. O Rappa sofreu um abalo em 2002, com a saída do baterista e principal compositor Marcelo Yuka, que enfrentava um período difícil após ser baleado durante um assalto e ficar tetraplégico. Yuka deu continuidade à carreira fundando o F.U.R.T.O, que lançou o álbum de estréia no ano passado. E o Rappa deu sequência ao trabalho gravando o álbum O Silêncio Q Precede o Esporro (2003).
Em Londrina, Falcão e seus asseclas costumam entupir os locais onde se apresentam. Sua última passagem por aqui foi há dois anos. Depois de vê-los ao vivo, os fãs poderão assistir a um especial da banda no dia 20 (sábado) desse mês no Bem Brasil da TV Cultura. O programa vai ao ar às 17 horas exibindo um show gravado no Sesc Pompéia, em São Paulo. E na próxima terça-feira, o Rappa volta a disputar o Prêmio Multishow de Música Brasileira concorrendo nas categorias Melhor Grupo e Melhor DVD.
Serviço:
- Show do O Rappa. Amanhã, às 23 horas. Local: Centro de Exposição de Eventos de Londrina. Ingressos: R$ 25,00 (preço único), R$ 50,00 (camarotes) e R$ 75,00 (camarotes com R$ 35,00 de consumação). Pontos de venda: Pátio San Miguel, Livrarias Porto Megastore, Restaurante La Francine, Posto Bella Suiça, Pizza Movie, Tecno Sport e Paquetá Calçados. Informações: (43) 3028-0547.


