A dramaturga do piano
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de julho de 1998
Antônio Mariano Júnior 
Não basta simplesmente tocar para o outro cantar. É preciso, além de ser um bom pianista, repassar conhecimentos maiores da obra a ser executada. Em outras palavras, preparar um cantor de ópera antes de encaminhá-lo ao maestro e consequentemente a uma orquestra não é tarefa para um simples pianista mesmo tendo lá suas virtudes musicais. O profissional tem que impor ao cantor toda a carga dramática e teórica que uma ópera possui. E é esse tipo de trabalho que a pianista italiana Angiolina Sensale vem fazendo há alguns anos com os cantores líricos do legendário Teatro Scalla de Milão.
Ela está em Londrina. Veio na condição de concertista e também professora do curso Piano Co-Repetição (que ensina as tais técnicas) do 18º FML, a partir de um convite feito ano passado pelo diretor artístico Norton Morozowicz. Essa é a primeira vez que o Festival conta com esse curso.
A turma de Angiolina Sensale é composta por 7 alunos que, apesar de qualificados como pianistas, ainda são considerados iniciantes na arte de acompanhar cantores líricos. O curso da pianista italiana é integrado ao curso de canto ministrado pelos professores Angela Barra e Lélio Capilupi. Os dois melhores alunos dos respectivos cursos farão uma apresentação, na próxima semana, ainda sem dia definido.
O currículo do Piano Co-Repetição é consistente. Na parte téorica, Angiolina está ensinando estudo de teatro e das óperas dos repertórios mais importantes, estudo de Baixo-Contínuo (uma forma de acompanhamento para músicas barrocas) e leituras de claves musicais antigas.
Na prática, os alunos estão aprendendo leitura dinâmica de partituras, transportes de tonalidades e estudos das árias mais importantes para todas as classificações vocais.
Segundo Angiolina Sensale, apesar da atividade que exerce ser muito importante, ainda hoje são raros os pianistas que acompanham cantores de ópera, inclusive na Europa. Talvez porque não exista uma técnica específica ou uma metodologia básica. É um trabalho que se aprende fazendo- avisa ela.
Como acompanhante de cantores líricos, Angiolina já ouviu diversos timbres de voz. E é com sua experiência que ela afirma que a tessitura vocal pode variar de lugar para lugar. As pessoas na América do Sul têm uma coloração, um peso especial na voz- afirma. É um pecado essas vozes não serem trabalhadas- complementa.


