Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Adriana Falcão, autora do texto de ‘‘A Máquina’’ deu entrevista à Folha 2, logo depois da estréia do espetáculo no FTC. Ela é redatora da TV Globo, fez a adaptação de ‘‘O Auto da Compadecida’’, trabalhou na ‘‘Comédia da Vida Privada’’, cuida dos textos de ‘‘Muvuca’’ atualmente. ‘‘A Máquina’’ foi visto durante um mês no Recife (estreou dia 27 de janeiro), e viajou para Curitiba. Daqui, ninguém sabe para onde vai, mas a reação do público mostrou que todos os caminhos estão abertos.
Você que tende mais ao livro que ao teatro, como se sente ao ver suas palavras transpostas ao palco?
É absolutamente emocionante, porque faço televisão, escrevo para televisão. Então estou acostumada com meu texto sendo dito por grandes atores. Não tem a coisa do palco, da hora, de estar vivendo ali. É engraçado porque fico repetindo o texto, é muito emocionante. Sempre choro, fico emocionadíssima. O livro foi lançado em novembro, a gente estreou em janeiro. Ao invés de estrear em São Paulo/Rio, fomos para Recife levar um pouco o mundo para Nordestina. De lá viemos a Curitiba e a partir daí vamos ver o que a gente faz com a peça.
Nordestina existe?
Ah, sim, existem tantas Nordestinas... Recife, claramente; mas vejo milhões de Nordestinas fora do Nordeste. Ela é universal. O Brasil também é Nordestina: o brasileiro se sente muito distante em relação ao mundo, inferiorizado ‘‘o mundo é lá, lá que é bom’’, mas provavelmente esse ‘‘lᒒ também é assim.
Você esperava esse sucesso?
Eu não esperava nada. Sou redatora da TV Globo, estava fazendo meus programinhas, tentei fazer uma peça que a princípio foi um fracasso, e escrevi em forma de literatura com muita vontade de fazer um grande trabalho. Este é meu primeiro livro. Foi tudo muito rápido, a Objetiva ligou dizendo que ia lançar até o Natal, então foi tudo acontecendo e eu não acreditava. Estou feliz demais.
Você tem outros planos?
Estou escrevendo o roteiro de um longa. Mas a minha paixão é literatura, se pudesse começar a escrever um novo livro amanhã, era tudo que eu queria.