Eles mostram o cotidiano de diferentes bolivianos, mas no fundo emocionam porque são problemas comuns a todos nós. Com despojamento, pouca cenografia e muito trabalho de ator, a companhia Altoteatro mostra hoje e amanhã, às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo, o espetáculo "Solo com esto". Esta é a primeira vez que o grupo que existe há 11 anos se apresenta no Brasil.
E como o diretor Freddy Chipana explica, o título da montagem se refere a uma expressão que tem duplo sentido na Bolívia: significa tanto "sozinho com isso (algum problema)" quanto "é o que eu tenho".
Com a pretensão de fazer um teatro mais humanizado, Chipana salienta que a temática da montagem aborda as diferentes formas de discriminação. "Apresentamos quadros, cenas, com diversas situações discriminatórias, como o preconceito na terceira idade, com as pessoas com necessidades especiais, trabalhadores, mas que falam de sentimentos universais, que emocionam a todos", destaca o diretor. "Infelizmente, a discriminação e a violência não têm fronteiras", acrescenta Chipana, que assina a direção junto com Andrea Riera. Dedicando-se há 23 anos ao teatro, ele lembra que há 16 anos participou do Filo com o espetáculo "As sandálias do tempo", quando ainda integrava a companhia Teatro de Los Andes, também da Bolívia.
A montagem é baseada em testemunhos reais dentro de um processo de pesquisa desenvolvido pelo grupo e mescla humor com drama. "Nos questionamos sobre o que se passa na Bolívia, que inclui questões políticas, reivindicações sociais, ética, mas também conosco, enquanto seres humanos", cita.
Voltado anteriormente para um teatro mais artístico, Chipana diz que agora o seu foco de interesse é um teatro mais humanizado, que dialogue mais e melhor com o público. "O nosso espetáculo é uma oportunidade das pessoas conhecerem um pouco da Bolívia, mas também de refletirem sobre si mesmas a partir de um trabalho autoral de ator honesto, que se utiliza do corpo, da voz e de metáforas para buscar a humanização dos personagens", ressalta o diretor, que defende o trabalho de dramaturgia própria.
Sobre as condições para se fazer teatro na Bolívia, ele afirma que é tão difícil quanto em qualquer outro lugar e que eles não contam com incentivo público para produzirem suas peças. De qualquer forma, o grupo vem conseguindo se manter exclusivamente do seu trabalho, apresentando-se principalmente em espaços alternativos, como escolas, além de realizar oficinas teatrais.

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