A descoberta do prazer
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de junho de 2001
Celso Mattos De Londrina 
Com uma história aparentemente simples, o diretor sueco Lasse Hallstrom faz de Chocolate uma metáfora sobre o desejo e as tentações. Conhecido do público pelo sensível Regras da Vida, o cineasta desenhou uma fábula sobre a descoberta do prazer. Unindo drama e comédia, o filme fala de paixões escondidas, subserviência, anseios e medos camuflados por uma moralidade secular que rebate o gozo como incentivo à vida.
Através do chocolate, guloseima que, geralmente, causa culpas em proporções tão grandes quanto o deleite, a fita perscruta as tentações como forma de libertação. A trama de Chocolate é simples como uma receita de bolo: Vianne Rocher (Juliette Binoche) e sua filha chegam a uma pequena cidade conservadora do interior da França para abrir uma chocolateria. A degustação da guloseima feita por Vianne começa a provocar mudanças sociais, sexuais e espirituais nos moradores do vilarejo, despertando a ira da igreja. A chegada de um estranho interpretado por Johnny Depp só atiça ainda mais a ira dos conservadores do local.
Apesar de sua aparente nobreza, Chocolate é um produto industrializado típico da Miramax, estúdio que tem a mania de mascarar com verniz artístico, obras meramente comerciais. Apesar de ser um filme bonito, não merecia estar entre os cinco indicados ao Oscar na categoria principal. O tema do poder gastronômico sobre a psiquê humana já foi melhor tratado em fitas como A Festa de Babete e Como Água para Chocolate. O ponto alto deste longa é a sensibilidade com que Lasse Hallstrom apresenta a história e seus personagens. Lançamento da Imagem. Duração: 121 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
ReproduçãoGwyneth Paltrow interpreta uma infantil garota em busca da fama
Duets Vem Cantar Comigo
Pode-se definir Duets como uma versão caipira de Nashville, de Robert Altman. Ou seja, pessoas cheias de problemas partindo de todas as partes dos Estados Unidos em busca de redenção e fama. Em Duets, a meca da música country retratada por Altman é substituída por Omaha e o megafestival Grand Ole Opry por um prosaico concurso de karaokê, para onde se dirigem a infantilizada Liv (Gwyneth Paltrow), o fracassado Rocky (Huey Lewis) e o desesperado Billy (Scott Speedman), entre outros.
O filme foi dirigido por Bruce Paltrow, pai de Gwyneth, que a exemplo de Altman fez todo o elenco cantar de verdade. O resultado dessa xerox cafona é um filme que oscila entre o lacrimoso e o simpático, mas fica uma lição: obras-primas como Nashville não são fácies de ser reproduzidas. Lançamento da Europa. Duração: 112 minutos.
ReproduçãoCenas de aventura bem dirigidas compensam o roteiro fraco
Limite Vertical
Para quem gosta de adrenalina e emoções fortes, Limite Vertical é o programa certo, para quem não tem problemas cardíacos, é claro. Além da bela fotografia, o filme é uma montanha-russa que chega a causar vertigem no telespectador. Mas o roteiro é fraquinho. Dirigido por Martin Campbell, o longa conta a história de um jovem alpinista que tenta resgatar a irmã que se encontra presa no cume da montanha K2. No elenco estão Chris ODonnell, Bill Paxton e Robin Tunney.
Entre explosões e avalanches de tirarem o fôlego, Limite Vertical é adrenalina pura da primeira a última cena. Quem assistiu A Máscara do Zorro sabe que Campbell entende do riscado quando se trata de dirigir cenas de aventura. Infelizmente, em vídeo o filme vai perder grande parte de seu impacto, mas a boa notícia é que Limite Vertical também está saindo em DVD. As cenas extras que o disco traz compensam, em parte, a redução da tela. O DVD traz making of e um documentário da National Geographic sobre a montanha K2. Lançamento da Columbia. Duração: 124 minutos.


