A democracia da moda de rua
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de dezembro de 2000
Simone Mattos De Curitiba 
Tudo é permitido na moda do final de milênio. Nenhuma tendência deve ser seguida com rigor e a única obrigação é colocar criatividade e um toque pessoal em tudo o que se usa. Imitar é um verbo proibido e (quem diria) totalmente fora de moda. Nessa total democracia de cores e estilos, nunca foi tão fácil acertar. Portanto, o heterogêneo público anônimo que circula pelas metrópoles brasileiras está bem vestido sim. Quem arriscaria dizer o contrário?
Na opinião do sócio da grife curitibana Sexxes, Alcione Gabardo Júnior, estilista há 12 anos, a moda hoje está muito melhor do que há uma década. A abertura do mercado exigiu mais criação nos últimos três ou quatro anos, portanto, a moda começou a ter mais autenticidade e individualismo, comenta.
Antes disso, as pessoas se vestiam de forma padronizada, todos usavam exatamente as mesmas cores e os mesmos modelos de roupa, vivendo uma verdadeira ditadura. Caso alguém resgatasse uma peça antiga, de coleção anterior, isso seria facilmente detectado. Hoje isso é impossível, todos estão livres para criar, comenta. Se formos fazer uma pesquisa de rua para tentar achar o padrão daquela estação, não chegaremos a resultado algum.
Medir o grau de elegância de quem caminha distraidamente pelas ruas, em sua avaliação, é missão impossível. Tudo depende pra onde ela está indo e do que irá fazer, explica. Uma calça comprida com camiseta e tênis pode ser perfeito para determinadas situações e inadequado para outras.
Tentar traduzir o conceitual universo apresentado nas passarelas para o cotidiano do público também é tarefa difícil em sua opinião. O que se mostra nos desfiles muitas vezes são peças que exigem uma tecnologia mais apurada, o que complica a produção em série. Quando as técnicas são aperfeiçoadas e chegam ao grande mercado de consumo, muitas vezes já se passaram dois anos, afirma Júnior.
Isso não quer dizer que de forma geral as pessoas estejam fora de sintonia com a moda. Ninguém compra uma roupa pensando em ficar mal vestido, comenta. As mulheres, principalmente, estão sendo sempre bombardeadas por informações através de revistas de moda, televisão e vitrines de lojas.
Independente da classe social, elas têm a eterna preocupação de estarem bem vestidas. A moda feminina sempre evoluiu mais rápido que a masculina, comenta Júnior. Os homens, em sua avaliação, continuam preferindo o jeanswear, evitam as cores e não arriscam em produtos diferenciados.
De forma geral, o público com menor renda financeira prefere sempre roupas mais discretas e que possam ser usadas por mais tempo. Tecidos simples e lisos, jeans e nenhuma extravagância permitem a longevidade das peças.


