A dança sem limites
Espanhol radicado na França, José Montalvo, hoje com 45 anos, estudou Arquitetura e Belas Artes, mas acabou seduzido pela dança. Trabalhou, entre outros, com o coreógrafo Alwin Nikolais, de quem herdou a magia das imagens.
Ao longo de sua carreira, Montalvo conquistou importantes prêmios internacionais: venceu o Concurso Internacional de Nyon (Suíça) em 1985; foi premiado no Concurso Internacional de Dança em Paris (1986), e em 87 recebeu o Primeiro Prêmio Solo de Dança-Teatro de Cagliari (Itália). Ainda no final dos anos 80, coreografou uma peça para Dominique Hervieu - parceira desde seus primeiros trabalhos - com a qual obteve o prêmio de interpretação feminina no 26º Festival de Dança de Paris.
Após uma interrupção de três anos, retoma sua atividade criativa em 1992 com a coreografia ‘‘Podebal’’, e em 93 participa do espetáculo ‘‘Artes Surpreendentes - O Baile Moderno’’, uma iniciativa de Michel Reilhac no Teatro Nacional de Chaillot na qual Montalvo propõe ao público apoderar-se da dança através de quatro peças a ser dançadas pela própria platéia.
A partir daí, o coreógrafo inicia uma série de trabalhos de grande repercussão, como ‘‘Doble Turvo’’ (93), coreografia que explora jogos de reflexo e desdobramento, mesclando realidade e imagens, e ‘‘Hollaka Hollala’’ (94), sempre tendo Dominique Hervieu como assistente. Em 96, cria ‘‘As Surpresas de Mnemosyne’’ para o Ballet da Ópera de Florença, e ‘‘Kaefig’’, espetáculo no qual trabalha os limites entre a dança, o teatro, as artes plásticas e a poesia.
Paralelamente a este trabalho nos palcos, Montalvo e Hervieu passam a se dedicar também a projetos experimentais mais ousados, como fazer dançar toda uma cidade, propondo a um público completamente heterogêneo peças coreográficas para ser interpretadas por qualquer pessoa - obras efêmeras que captam a pulsação da vida urbana e homenageiam a espantosa diversidade dos corpos.
Mas é depois do estrondoso sucesso de ‘‘Paradis’’ (97) que José Montalvo se consolida definitivamente como um dos mais requisitados coreógrafos europeus. Uma de suas novas criações é ‘‘Le Rire de la Lyre’’, que tem estréia mundial com o Ballet da Ópera de Paris agendada para dezembro deste ano.
No Brasil, além de Curitiba, a Cia. Montalvo-Hervieu fará somente mais duas apresentações em São Paulo. (E.M.C.)

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