A DANÇA DAS FORMAS
Uma música composta em 1917 serviu de inspiração para o espetáculo Dois, que a Vivarte Produções Culturais traz para Londrina neste final de semana. Os Planetas, do compositor inglês Gustav Holst, além de ter dado início aos trabalhos de criação, também marca toda a trilha sonora da peça. Criado e dirigido por Fernando Anhê, Dois, é um teatro de formas animadas, onde bonecos manipulados por atores vestidos de negro ganham vida no palco. A apresentação em Londrina acontece amanhã, no Teatro Marista.
Apresentado pela primeira vez no Teatro Municipal de São Paulo, o espetáculo também já passou pelo Teatro Guaíra, de Curitiba. E chega a Londrina com uma variação técnica. Na estréia paulistana, a Orquestra Experimental de Repertório, do maestro Jamil Maluf dava o tom ao apresentar ao vivo a música de Holst. Em Londrina, por causa do espaço restrito do Teatro Marista, a orquestra sai de cena e entra o som de CD, numa gravação devidamente indicada pelo maestro Maluf, que além de diretor musical da companhia foi quem apresentou a música de Holst ao diretor Anhê.
A dualidade é presença constante em todo o espetáculo, que não à toa recebeu o nome de Dois. O jogo dos contrastes entre o claro e o escuro e os conflitos marcam a peça, que já começa com uma alusão à criação do universo. E toda a história é contada por 60 bonecos e esculturas manipulados pelos atores Valter Felipe, Rogério Harmitt, Isa Gouvea, Neno Narciso, Silvio Ferreira e César Godoy.
Produzidos a partir de materiais diversos, como espuma, papel, isopor e até bambolês (sim, aqueles brinquedos de criança), os bonecos criados por Fernando Anhê ganharam uma camada de tinta fluorescente, que garante uma cor intensa e acesa (por causa da luz negra que incide sobre eles). É o que marca a dualidade entre claro e escuro as luzes do teatro ficam apagadas durante todo o espetáculo.
Cada movimento dos bonecos é marcado pela música, formando a dança das formas, explica o diretor Anhê. Com formação em artes plásticas, Fernando Anhê entrou para o teatro com as experiências em óperas, onde coordenava a projeção de cerca de 600 slides, numa leitura plástica. Essas imagens traduziam a peça, conta. Foi quando tive a experiência de criar roteiros, completa Anhê. Daí para o teatro de bonecos, ou melhor, o teatro de formas animadas foi um pulo. Este teatro é uma somatória de linguagens, como o desenho, o cinema e o cartoon, explica Fernando Anhê, que também é autor de Imago (99) e Espias (97). Também assinou as cenas de teatro negro de Tapping Gershwin (98).
Ainda no currículo de Anhê estão as direção de arte e criação de leituras plásticas para Carmina Burana (98), Fosca (97), Falstaf e O Castelo do Barba Azul. E como artista plástico, conta com colaborações para Veja e Playboy, além de exposições individuais e coletivas.
No espetáculo Dois, o apelo visual e sonoro criado por Anhê promete agradar tanto crianças como adultos.
Dois, concerto cênico. Amanhã, no Teatro Marista, às 20h30. Ingressos a R$ 10,00 à venda na sede da Vivarte Produções Culturais (Rua Prefeito Hugo Cabral, 35). Estudantes e aposentados pagam R$ 5,00 mediante documentação.





